Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Manifestantes colocam fogo em lixo e PM usa bomba no Rio

Movimento que reuniu mil pessoas, segundo a Polícia Militar, começou pacífico e teve confusão no fim; dois foram detidos

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2015 | 23h28

RIO - O ato convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento de 13,3% da tarifa dos ônibus no Rio reuniu, nesta sexta-feira, 9, mil pessoas, segundo estimativa de um oficial da Polícia Militar, e 5 mil, de acordo com os organizadores. Os manifestantes se concentraram na Cinelândia e seguiram até a estação ferroviária Central do Brasil, no centro.

PMs dos Batalhões de Choque e de Grandes Eventos acompanharam a passeata, fazendo um cerco aos ativistas. Após a dispersão, quando um grupo de menos de 50 pessoas retornava para a Cinelândia, policiais do Choque lançaram duas bombas de efeito moral e usaram balas de borracha contra ativistas que haviam incendiado sacos com lixo nas calçadas.

PMs perseguiram manifestantes no entorno da Câmara Municipal e pelo menos dois foram detidos. Eles foram liberados em seguida, após revista, sob protesto de ativistas, que gritavam: “Manifestante não é bandido, foi a PM que matou o Amarildo”, em referência ao pedreiro Amarildo de Souza, assassinado por policias da Unidade Pacificadora (UPP) da Favela da Rocinha, em julho de 2013, segundo denúncia do Ministério Público. O MPL do Rio convocou nova manifestação para o dia 16, às 17 horas, na Praça da Candelária.

Durante o percurso, o protético Eron Melo, que costuma participar de protestos no Rio vestido de Batman, foi rechaçado e agredido por um grupo de ativistas. Recentemente, ele posou para fotografias ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), em ato contra a presidente Dilma Rousseff (PT).

Ele chegou por volta das 19 horas, quando os manifestantes caminhavam pela Rua Primeiro de Março. Foi recebido aos gritos de “fascista” e, em seguida, se envolveu em uma briga com um pequeno grupo. Policiais que estavam ao lado não interferiram. “Deixa eles se matarem”, comentou um dos PMs.

Melo segurava um cartaz com a inscrição “#lutoJeSuisCharlie”, em referência aos atentados em Paris, que foi arrancado de sua mão durante a confusão. “Ele foi rechaçado por apoiar o Bolsonaro, que é a favor de bater em mulher, e também porque apoiou ato de militares no ano passado”, disse o estudante de Geografia Mateus Rodrigues Queiroz, de 20 anos.

Melo ficou menos de cinco minutos no ato. Ele deixou o local pela lateral do Centro Cultural Banco do Brasil. Na fuga, foi amparado por dois manifestantes, sob vaias, enquanto outros gritavam “fascista”.

Justiça. No Rio, a passagem dos ônibus municipais subiu de R$ 3,00 para R$ 3,40 há uma semana. O reajuste de 13,3% é questionado na Justiça pelo promotor Rodrigo Terra, por causa da decisão do prefeito Eduardo Paes (PMDB) de incluir na tarifa custos com gratuidades e com a compra de novos ônibus com ar-condicionado.

Também foram anunciados aumentos de 12,45% na tarifa dos ônibus e vans intermunicipais, a partir de hoje, do Bilhete Único (12,46%), a partir de 1.º de fevereiro, das barcas (5,75%) e dos trens (3,66%), ambos a partir de 12 de fevereiro.

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