Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Manifestantes deixam prisão no Rio

Entre os detidos estava Elisa Quadros, conhecida como Sininho; o alvará de soltura foi expedido nesta quarta-feira

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2014 | 18h27

Atualizada às 20h52

RIO  - Os manifestantes Elisa Quadros Sanzi, a Sininho, Camila Jourdan e Igor D'Icarahy deixaram no início da noite desta quinta-feira, 24, o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio. Eles estavam presos desde o dia 12 de julho, acusados de formação de quadrilha, e foram beneficiados por habeas corpus concedidos na quarta-feira pelo desembargador Siro Darlan, do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ). 

Outros 20 manifestantes também tiveram a prisão preventiva suspensa pela decisão do desembargador, mas 18 estavam foragidos e os outros dois são Fábio Raposo e Caio Rangel, que respondem também pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, em fevereiro, e por isso continuam presos.

Nenhum dos ativistas falou com a imprensa. Quando o trio deixou o presídio, pouco depois das 18 horas, amigos dos ativistas tentaram impedir que cinegrafistas e fotógrafos registrassem a saída deles e houve confusão.

Igor saiu às 18h07, foi recebido pelo pai, o advogado Marino D'Icarahy, e pela mãe, e foi embora em um carro. Camila saiu em seguida, às 18h10, foi abraçada por amigos e também foi embora em seguida. O tumulto ocorreu quando Sininho deixava o presídio, às 18h11. Amigos cercaram a ativista tentando conduzi-la até um Fiat Uno, a cerca de 20 metros da porta do presídio, mas a imprensa acompanhava o trajeto e ela teve dificuldades em dois momentos - primeiro para entrar no carro e depois, já dentro do veículo, para conseguir sair com o automóvel.

Aos gritos, uma amiga de Sininho ordenou que a imprensa não registrasse a saída. Houve discussão e até briga corporal entre manifestantes e profissionais da imprensa. A reportagem não conseguiu identificar quem deu início à briga. 

Manifestantes pediram socorro aos policiais que atuam no presídio, e eles intervieram para determinar o fim da confusão. Os amigos de Sininho foram embora em uma van. Não houve registro de feridos, mas o equipamento de pelo menos um fotógrafo foi danificado.

Demora. Os alvarás de soltura foram levados ao presídio por um oficial de justiça que chegou às 16 horas. Marino D'Icarahy e Luisa Maranhão, advogados que representam 15 dos 23 acusados, criticaram a morosidade da Justiça e reclamaram que "a polícia demorou mais de 22 horas para soltá-los".

"Para alguém que foi preso legalmente, ficar preso um minuto já é uma tortura, imagine ficar 13 dias preso ilegalmente. As prisões foram consideradas ilegais três vezes", afirmou D'Icarahy. Ele se referia aos habeas corpus concedidos por Darlan contra as prisões temporárias, a prorrogação das mesmas e a decretação de prisões preventivas. 

Para Luisa, “houve procrastinação da Polinter e da Central de Mandados de Bangu” para que os três fossem liberados. Eles não poderão deixar o Rio sem autorização judicial e precisam entregar seus passaportes e comparecer mensalmente em juízo para justificar suas atividades. As ordens de prisão haviam sido expedidas pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27° Vara Criminal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.