Facebook/ Reprodução
Facebook/ Reprodução

Acusado de matar rapaz em mercado foi condenado por agredir ex, diz TV

Segundo reportagem, Davi Ricardo Amâncio não poderia trabalhar como segurança; manifestantes protestaram em 6 cidades

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 19h12
Atualizado 18 de fevereiro de 2019 | 11h42

RIO - O segurança Davi Ricardo Amâncio, de 32 anos, acusado de matar o jovem Pedro Henrique Gonzaga, de 19 anos, em uma unidade do hipermercado Extra na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, na quinta-feira, 14, não poderia atuar na atividade de segurança privada. Ele trabalhava havia pouco mais de um ano na empresa Groupe Protection, mas deveria ter apresentado certidões negativas de antecedentes criminais. De acordo com reportagem exibida neste domingo, 17, pelo Fantástico, da TV Globo, Amâncio já havia sido condenado por lesão corporal depois de agredir uma ex-companheira. 

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta que a morte do jovem foi causada por estrangulamento. Imagens exibidas pelo Fantástico mostram que o segurança permaneceu sobre Gonzaga por pelo menos sete minutos, apesar dos apelos da mãe do rapaz. As imagens e o depoimento de uma amiga da mãe do rapaz à polícia, ao qual o programa teve acesso, mostram que o segurança respondeu dizendo que a mãe estava mentindo.  

O Estado não conseguiu falar com a empresa Groupe Protection, responsável pela segurança do hipermercado. 

À reportagem do Fantástico, o advogado da empresa declarou que a checagem da ficha criminal cabe à Polícia Federal e não à empresa. A exigência faz parte da portaria nº 3.233/2012, do Ministério da Justiça, que regula a atividade de segurança privada. 

Protestos

Três dias após a morte de Gonzaga, manifestantes realizaram neste domingo protestos em pelo menos seis cidades – além do próprio Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza e Campo Grande. Nos atos, manifestantes levaram faixas com os dizeres “vidas negras importam” e “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. 

O caso

Testemunhas afirmam que o jovem foi imobilizado por Amâncio, com um golpe conhecido como mata-leão (chave de estrangulamento, no pescoço), durante uma confusão na loja. Amâncio nega. À polícia, disse que ficou sobre Gonzaga, deitado no chão, porque achou que ele simulava um desmaio.

De acordo com Amâncio, o rapaz tentou lhe tomar a arma e ameaçou outros clientes. Imagens da ação viralizaram na rede e desencadearam os protestos. Amâncio responderá por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. Ele foi liberado pela polícia após prestar depoimento e pagar fiança de R$ 10 mil.

Segundo amigos, Gonzaga, que estava com a mãe no supermercado, tinha um filho e sonhava em ser DJ. 

Em nota, o Extra lamentou o episódio e informou que os seguranças envolvidos na ocorrência foram afastados. A empresa instaurou sindicância interna para acompanhar as investigações. “Independentemente do resultado da apuração dos fatos, nada justifica a perda de uma vida”, declarou o mercado, no texto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.