Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Marchinhas de carnaval viram patrimônio imaterial do Rio

Para presidente de instituto, consideradas tipicamente cariocas, canções são 'expressão musical que há anos anima' a folia

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 14h18

Agendada às 19h57
RIO - A exemplo da bossa nova, de tradicionais blocos carnavalescos, como o Cacique de Ramos e o Cordão da Bola Preta, e da obra literária de Machado de Assis, as marchinhas de carnaval foram declaradas patrimônio imaterial do Rio, por serem manifestações culturais tipicamente cariocas. 
A listagem de bens imateriais da cidade já tem 56 itens, que, na visão da Unesco, precisam ser protegidos para que não se extingam jamais. “As marchinhas são uma expressão musical que há anos anima o carnaval do Rio. Desde os primeiros ranchos, o mesmo ritmo, musicalidade e ironia estão presentes nos bailes e nas ruas da cidade. Estamos
reconhecendo um patrimônio já consagrado pelos cariocas”, justificou Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, órgão que faz as escolhas. 
De acordo com a Unesco, os bens imateriais são “práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que as
comunidades, grupos e indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.”
Para o órgão da ONU, esse tipo de patrimônio é “particularmente vulnerável”, porque muda com o passar dos anos, ao contrário dos bens materiais. Por conta disso, foi adotada em 2003 a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. 
No Rio, a lista abarca o Beco das Garrafas, a torcida do Flamengo, o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, as escolas de samba e os vendedores de mate e biscoito Globo das praias. As marchinhas animam o carnaval carioca desde o fim do século 19. O Abre-Alas, de 1899, de autoria de Chiquinha Gonzaga, é considerada o marco inicial do gênero, que teve seu auge entre as décadas de 20 e 60. As mais populares, entre elas, Alalaô, Aurora, Jardineira, Touradas de Madri e Chiquita Bacana, são cantadas até hoje por foliões pelas ruas e bailes.

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