Marcinho VP é condenado a 36 anos de prisão no Rio de Janeiro

Traficante ordenou esquartejamento dos rivais Dequinha e Rubinho em outubro de 1996

Alessandra Saraiva, do Estadão,

08 de agosto de 2007 | 05h53

O traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, foi condenado a 36 anos de prisão, em regime fechado, na madrugada desta quarta-feira, 8. Marcinho VP é acusado de esquartejar André Luis dos Santos Jorge, o Dequinha, e Rubem Ferreira de Andrade, conhecido como Rubinho. Marcinho VP recebeu pena de 18 anos por cada vítima, segundo informações do Tribunal de Justiça do Rio. Foi o segundo julgamento do caso, já que o primeiro foi anulado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu na madrugada do dia 11 de outubro de 1996, na Grota e na Avenida Central, próximo à Praça do Terço. De acordo com informações da Justiça do Rio, o crime foi praticado por "motivo torpe e meio cruel", visto que as vítimas tiveram suas cabeças e partes do tronco esquartejadas. Após o crime, os corpos foram encontrados dentro de um bueiro, na Rua Joaquim Queiroz, também na região da Grota. Ainda de acordo com informações apuradas pela Justiça do Rio, as vítimas tinham ligação com o traficante conhecido como Leite Ninho, de quadrilha rival à dos denunciados, que pretendia assumir todo o controle do tráfico no Complexo do Alemão. A assessoria do Tribunal de Justiça informou também que mais três acusados foram denunciados na época, pela promotora pública Patrícia Mothe Glioche Beze: Severino Alves da Silva, o Rambo; Genilton Fernandes Mendonça, o Tirré; e Joel de Oliveira Carvalho, o Joel Bombeirinho. Porém, eles não participaram do julgamento, pois se encontram foragidos. Marcinho VP Marcinho VP é ligado ao Comando Vermelho e é apontado como o ex-chefe do tráfico no complexo de favelas do Alemão, na zona norte da cidade. Em 2000, também foi apontado pela polícia do Rio como um dos mentores da construção de um túnel subterrâneo de 80 metros de extensão que daria fuga em massa aos presos dos complexos penitenciários de Bangu 1 e Bangu 3, na zona oeste.  Preso na Penitenciária de Catanduvas, no Paraná, Marcinho VP chegou ao Rio na manhã de terça-feira num avião da Força Aérea Brasileira para acompanhar o julgamento escoltado por policiais federais. A segurança também foi reforçada dentro e fora do prédio do Tribunal de Justiça. Na terça, após o sorteio de sete mulheres para o júri, VP foi interrogado pelo juiz Fábio Uchoa Pinto de Miranda Montenegro. Ele disse que não tinha profissão definida, mas já havia trabalhado vendendo balas no trem. Disse ainda que é pai de seis filhos. Questionado sobre a participação no crime, alegou ser inocente. O outro réu, Eduardo Luiz Paixão, o Duda, que também seria julgado nesta terça, teve o seu processo desmembrado. O julgamento dele foi marcado para o dia 18 de setembro. Duda é acusado de ter presenciado o esquartejamento, encorajando e dado cobertura a VP no local do crime. Outros três homens foram acusados do duplo homicídio, mas permanecem foragidos.

Tudo o que sabemos sobre:
Marcinho VPcondenação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.