Ellis Rua/AP
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Marielle foi morta por submetralhadora, e não pistola, mostra reportagem da Record

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e existe a suspeita de que o crime foi ordenado por milicianos

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2018 | 00h32

RIO - A vereadora Marielle Franco (PSOL) não foi morta por balas disparadas de uma pistola, e sim por uma submetralhadora usada no Rio apenas por forças policiais especiais, informou neste domingo, 6, o programa "Domingo Espetacular", da TV Record. Marielle foi assassinada em seu carro, assim como seu motorista, Anderson Gomes, no dia 14 de março. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e existe a suspeita de que o crime foi ordenado por milicianos.

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Segundo a reportagem, a submetralhadora HK MP5 que matou os dois é utilizada por forças de elite da polícia do Rio, e tem alta precisão. Esta arma, assim como a pistola que se acreditava ser a arma do crime, têm calibres de nove milímetros. Mas as submetralhadoras, ao contrário das pistolas, não são facilmente apreendidas com criminosos no Estado. A perícia inicial da polícia teria falhado ao não identificar corretamente em laboratório as "impressões digitais" do armamento deixadas nos projéteis deflagrados. 

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Outro erro, de acordo com a reportagem, foi o abandono do carro de Marielle no pátio da delegacia sem que houvesse com ele um cuidado especial, e também o fato de os corpos da vereadora e do motorista não terem passado por exame de raio x que identificasse a trajetória das balas. O exame não teria sido feito porque o Estado estaria sem um equipamento de raio x disponível. A reportagem contactou a área de segurança do Estado, mas não obteve respostas sobre as novas informações. 

O caso está sendo tratado como prioritário pela Secretaria de Segurança Pública do Rio, pelo fato de o crime ser considerado político. Nenhuma informação sobre as investigações é divulgada oficialmente pela secretaria ou pelo Gabinete de Intervenção Federal, que coordena a segurança no Estado desde fevereiro.

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A execução ocorreu na região do Estácio, área central da capital. Marielle foi atingida por quatro tiros no rosto. Gomes morreu porque estava na linha de tiro. Desde o início da apuração, ficou claro que os disparos foram feitos por uma pessoa que sabia manejar com destreza o armamento, já que os tiros foram dados a partir de um carro em movimento, à noite e contra um automóvel cujos vidros eram escurecidos.

A polícia não tem imagens do momento da execução, porque cinco câmeras da prefeitura voltadas para o exato ponto do crime haviam sido previamente desligadas. Esta semana, será feita uma reconstituição do crime. Marielle pautava seu mandato pela defesa de minorias e moradores de favelas, e uma das hipóteses é a de que os mandantes queriam silenciar suas ações neste sentido.

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