Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Marielle Franco é homenageada em novo samba-enredo da Mangueira

Trecho diz que o País precisa ouvir 'Marias, Mahins, Marielles e malês'; tema para o carnaval de 2019 é 'História pra Ninar Gente Grande'

O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2018 | 15h29

SÃO PAULO - A Estação Primeira de Mangueira escolheu na noite de sábado, 13, o samba-enredo para o carnaval de 2019, que terá o tema "História pra Ninar Gente Grande". A música escolhida faz menção à vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros em março deste ano, e é de autoria de Deivid Domênico Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino.

Em um trecho, o samba diz "Brasil chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e malês", em referência à vereadora e, também, à Luísa Mahin, uma das lideranças da Revolta dos Malês, no século 19.

Em sua página na internet, a escola diz que o enredo trará as "páginas ausentes" da história brasileira. "Se a história oficial é uma sucessão de versões dos fatos, o enredo que proponho é uma 'outra versão'. Com um povo chegado a novelas, romances, mocinhos, bandidos, reis, descobridores e princesas, a história do Brasil foi transformada em uma espécie de partida de futebol na qual preferimos 'torcer' para quem 'ganhou'. Esquecemos, porém, que na torcida pelo vitorioso, os vencidos fomos nós."

Confira a letra do samba-enredo:

"Brasil, meu nego deixa eu te contar

A história que a história não conta

O avesso do mesmo lugar

Na luta é que a gente se encontra.


Brasil, meu dengo, a Mangueira, chegou

Com versos que o livro apagou

Desde 1500, tem mais invasão do que descobrimento


Tem sangue retinto pisado

Atrás do herói emoldurado

Mulheres, tamoios, mulatos

Eu quero o país que não tá no retrato


Brasil, o teu nome é Dandara

Tua cara é de Cariri

Não veio do céu nem das mãos de Isabel

A liberdade é um dragão no mar de Aracati


Salve os caboclos de julho

Quem foi de aço nos anos de chumbo

Brasil chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e malês

Mangueira, tira a poeira dos porões


Ô, abre alas

Pros seus heróis de barracões

Dos Brasis que se faz um país de Lecis, Jamelões

São verde e rosa as multidões

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