Medalhista de ouro no Pan 2007 é baleado no Rio

Velejador foi atingido quando tentava defender amigo de agressão

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

05 de abril de 2008 | 12h10

O velejador Pedro Tinoco Amaral, de 23 anos, foi baleado na perda esquerda, na saída de uma boate na Praça Mauá, zona portuária da cidade.   Medalhista de ouro no Pan 2007, na classe Snipe, o jovem foi atingido quando tentava defender um amigo de agressão. A bala atravessou a perna, sem atingir osso, veia ou artéria. Segundo os médicos, causou lesões musculares que não deixarão seqüelas. O rapaz ficará afastado de suas atividades apenas por uma semana.   Amaral e amigos participaram de uma festa de aniversário na boate The Week, fechada apenas para os convidados. "Na saída, ficamos brincando, sem fazer nada demais, quando quatro homens vieram na nossa direção. Um deles me deu um soco e disparou duas vezes. O Pedro vinha logo atrás e tentou me defender. O homem atirou umas cinco vezes. Um dos tiros atingiu o Pedro", contou o campeão mundial de vela, classe Snipe, Victor Demaison, de 22 anos.   Depois da agressão, o grupo fugiu. O atleta permaneceu na calçada, esperando socorro. "Ele estava muito assustado. Nunca tinha acontecido uma coisa dessas com ele. Ligamos para a polícia e o Corpo de Bombeiros, mas depois de 20 minutos o coloquei no carro e o trouxe para o hospital", disse Demaison.   O rapaz contou que a agressão surpreendeu a todos. "Na festa éramos todos amigos. Não tinha rivalidade ou briga. Não entendemos o que aconteceu. Chegamos a pensar que poderiam ser seguranças da boate ou do estacionamento", disse.     A mãe de Pedro Tinoco Amaral, a advogada Fernanda Tinoco, comentou a banalização da violência. "Não houve briga, não houve tentativa de assalto. Foi uma coisa gratuita. Não quero processar ninguém, não quero nem saber quem fez isso. Tenho muita fé em Deus. Até o que aconteceu hoje (ontem) foi o melhor que podia acontecer para o meu filho: ele está vivo e não ficará com seqüelas", disse Fernanda, momentos antes de o atleta deixar o Hospital Souza Aguiar.   A assessoria de imprensa da boate informou que a casa estava alugada para evento particular. O serviço de segurança e do estacionamento foi contratada pela produtora da festa. O caso será investigado pela 4.ª Delegacia de Polícia (Praça Mauá).

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