Rhuana Lopes Rodrigues
Rhuana Lopes Rodrigues

Médica que negou atendimento a bebê é acusada de negligência com idoso

Mulher foi à delegacia denunciar caso; profissional teria negado tubo de oxigênio

Lucas Gayoso, Especial para O Estado

09 de junho de 2017 | 18h21

A médica Haydée Marques da Silva, de 59 anos, que negou o atendimento a Breno Rodrigues Duarte, de 1 ano e 6 meses, é acusada de ter sido negligente no atendimento a outro paciente. 

Vanessa Pinheiro Martins, de 33 anos, contou que chamou a empresa Cuidar para transportar seu pai – Leonel Martins, de 62 – para um hospital, para que ele passasse por uma ultrassonografia. Dependente de oxigênio, foi transportado sem os aparelhos, por decisão da médica, acusa a família. O estado de saúde se agravou, e Martins morreu um mês depois..

Atendido por Haydée em 2016, Martins sofria de esclerose lateral amiotrófica e respirava com auxílio de aparelhos. “Quando a médica chegou ao apartamento, ela se assustou, dizendo que ninguém tinha falado que se tratava de um paciente com ventilação mecânica. Disse que estava com pressa porque ia almoçar. Ela quis levá-lo sem o tubo de oxigênio”, afirmou Vanessa, que registrou nesta sexta boletim de ocorrência.

De acordo com a polícia, a médica ainda foi acusada de agressão em 2011 por uma paciente. O processo prescreveu.

Depoimentos

Nesta sexta, o motorista da ambulância que transportava a médica na quarta-feira disse que chegou a discutir com ela para que Breno fosse atendido. “Quando chegamos à portaria do prédio e ela soube da idade do paciente, disse que não o atenderia. Tentei convencê-la a socorrer, mas ela começou a ‘surtar’ dentro da ambulância, a gritar, botou o dedo na minha cara e rasgou a guia. Achei um absurdo uma pessoa estudada fazer isso. A responsabilidade é somente dela. Ela omitiu socorro”, disse o motorista em depoimento na 16.ª DP (Barra da Tijuca).

De acordo com o motorista, a médica estava no início do plantão, e não no fim do expediente, como foi divulgado inicialmente. Breno morreu uma hora e meia depois de a ambulância deixar o condomínio. Ele sofria de doença neurológica, que provocava fortes convulsões. 

A técnica de enfermagem Marta Campelo, de 26 anos, que acompanhava Breno no home care, contou que a família entrou em desespero ao saber que a médica tinha ido embora sem prestar socorro. Com falta de ar, Breno se debatia. “Quando a outra ambulância chegou, o menino já estava apagado. É uma sensação horrível, de impotência. Tenho dois filhos e me coloquei no lugar da mãe. Espero que ela (a médica) pague por omissão de socorro”, disse. O sepultamento foi realizado na quinta. A polícia não localizou Haydée, mas espera que ela deponha até segunda-feira.

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