Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Médicos restringem visitas a Pezão, internado desde o dia 12

Governador está com infecção de origem desconhecida; bateria de exames descartou várias doenças, mas ainda é inconclusiva

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2016 | 13h36

RIO - Preocupados com a "romaria" de amigos e colaboradores no hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na zona sul da capital fluminense, onde o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) está internado desde sábado, 12, os médicos restringiram as visitas desde quarta-feira, 16. De lá para cá, poucos secretários de Estado foram recebidos pelo governador, que assinou apenas despachos mais urgentes.

Na noite de quarta-feira, 16, no entanto, Pezão atendeu a vários telefonemas, para tranquilizar companheiros que ouviram boatos sobre o agravamento do estado de saúde e até a morte do governador. "Sargento Garcia vai prender o zorro", brincou Pezão quando foi informado dos boatos, no início da noite.

Pouco antes das 23 horas, o governador atendeu um telefonema da presidente Dilma Rousseff. Explicou que estava bem, embora tivesse febre em vários momentos, o que indicava uma infecção ainda não debelada. 

A bateria de exames a que Pezão tem se submetido já eliminou várias possibilidades, mas não chegou a uma conclusão sobre a origem da infecção. Já foram eliminados zika, dengue, chikungunya, endocardite (inflamação da membrana do coração), úlcera e até malária. A febre se intensifica geralmente à noite, embora na quarta-feira tenha sido constatada também à tarde.  

Vários fatores têm sido observados pelos médicos: a dieta rigorosa a que Pezão se submeteu, que o fez perder 28 quilos em cinco meses, o forte estresse a que o governador está exposto, diante da crise econômica do Estado, e implantes dentários feitos recentemente pelo governador. 

Pezão fez a chamada dieta da proteína, que é restritiva para carboidratos e fibras, o que torna o organismo mais vulnerável. Também foi descartada a presença de alguma bactéria causada pelos implantes dentários. O quadro clínico de Pezão é bom, segundo nota divulgada pelo Palácio Guanabara.

O governador é tratado com antibiótico e na manhã desta quinta-feira, 17, submeteu-se a mais uma série de exames. O governador não assistiu pela TV à cerimônia da posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na chefia da Casa Civil e de outros novos ministros, transmitida ao vivo do Palácio do Planalto. 

Crise. Desde que tomou posse, em janeiro do ano passado, Pezão vê se agravar a crise econômica. Ao contrário de 2015, quando conseguiu aprovar uma série de leis na Assembleia Legislativa que permitiram aumento de receita, o governador agora tem enfrentado derrotas políticas, com resistência dos aliados à Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado enviada pelo Executivo ao Legislativo. O projeto acabou retirado pelo governo, que anunciou o desmembramento em propostas temáticas.

Entre as novas regras em discussão, está o aumento da contribuição previdenciária dos servidores. Também foi proposto que Legislativo e Judiciário assumam gastos que hoje cabem ao Executivo, o que provocou reação nos dois poderes.  Estresse e uma possível estafa têm sido levados em conta na investigação do quadro infeccioso do governador. 

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