Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

Menino atingido por bala perdida na cabeça está em estado grave

Garoto de cinco anos foi baleado enquanto acompanhava o pai em um jogo de futebol no morro de São João, no Engenho Novo, zona norte do Rio; é a terceira criança atingida desde o começo do ano

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2020 | 21h52

RIO DE JANEIRO - Um menino de cinco anos foi atingido na cabeça por uma bala perdida enquanto acompanhava o pai em um jogo de futebol no morro de São João, no Engenho Novo (zona norte do Rio), na noite de segunda-feira, 27. Até à noite desta terça-feira,  28, a criança estava internada em estado grave na UTI pediátrica do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha (zona norte). Foi o terceiro caso de criança atingida por bala perdida desde o começo do ano.

O segurança Paulo Roberto Monteiro levou o filho Arthur Gonçalves Monteiro para um campo de futebol na Rua Visconde de Santa Cruz, que fica próximo à favela do Morro São João. Ele costumava fazer isso toda segunda-feira, segundo a família. “Era um hábito deles, toda segunda-feira iam ao futebol, e nunca tinham tido nenhum problema”, contou  João Paulo Monteiro Esperança, tio do menino.

Enquanto estavam no campo, começou um tiroteio na favela. Segundo a Polícia Militar, policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do morro São João andavam pela comunidade quando foram atacados a tiros por criminosos. “Os policiais reagiram e ocorreu confronto no local”, diz nota da PM. Ninguém foi preso.

Segundo testemunhas, o pai de Arthur tentou protegê-lo e cobrir o menino com o próprio corpo. Uma bala perdida atravessou a mão esquerda do pai e atingiu a cabeça do menino, onde ficou alojada.

O Corpo de Bombeiros do quartel do Méier (zona norte) foi acionado às 21h05 e socorreu pai e filho. Segundo os bombeiros, Arthur foi levado primeiro ao Hospital Vital, na mesma rua onde fica o campo de futebol, e dali logo transferido para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. Ele foi submetido a cirurgia, e os médicos decidiram não tirar o projétil.

Durante a madrugada, médicos avaliaram que seria necessário transferir o menino para uma UTI pediátrica, mas não havia vagas na rede pública. A família dele então recorreu à Justiça. Ainda durante a madrugada, o Plantão Judiciário determinou que o Poder Público arranjasse uma vaga desse tipo para o garoto.

De manhã, Arthur foi transferido para a UTI pediátrica do Hospital Getúlio Vargas, onde à noite permanecia em estado grave. Não havia previsão de nova cirurgia, para retirar a bala alojada na cabeça do menino.

O pai do menino foi atendido no Hospital Salgado Filho, onde recebeu 12 pontos na mão esquerda e foi liberado. Segundo familiares, ele está em estado de choque com o caso.

Investigação

A Polícia Civil investiga de onde partiu o tiro que atingiu Arthur e seu pai. Nesta terça, o delegado Alan Luxardo, da 25ª DP (Engenho Novo), tomou depoimentos de testemunhas e de pelo menos quatro policiais militares que participaram da troca de tiros no morro de São Paulo. Luxardo determinou que todos os PMs que atuaram no episódio tenham suas armas apreendidas, para que sejam submetidas a perícia. Por enquanto, não é possível saber nem ter qualquer suspeita sobre a origem dos tiros.

Arthur é a terceira criança atingida por bala perdida neste ano no Rio. A primeira - e única que morreu até agora - foi Ana Carolina de Souza Neves, de 8 anos. Ela foi baleada na cabeça enquanto via televisão com a família, no sofá de casa, em Belford Roxo (Baixada Fluminense), na madrugada de 10 de janeiro. A criança chegou a ser socorrida e levada ao Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, mas não resistiu ao ferimento.

No dia 19 de janeiro, um menino de 11 anos jogava futebol em um campo na favela do Morro do Adeus, no complexo do Alemão (zona norte), quando foi atingido no ombro por uma bala perdida. Ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento do Alemão e transferido para o Hospital Getúlio Vargas - o mesmo onde Arthur está internado - e sobreviveu.

No mesmo dia, na Rua Aquiri, também no complexo do Alemão, um menino de 10 anos achou um projétil e colocou numa fogueira. O artefato explodiu e atingiu a criança, também levada ao Hospital Getúlio Vargas com ferimentos superficiais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.