Menino de 8 anos é atingido em ação do Bope após mortes

Durante a madrugada, quatro PMs e um oficial do Exército foram mortos; Bope procura assassino

PEDRO DANTAS,

21 de novembro de 2007 | 20h12

Dois crimes violentos resultaram na morte de quatro policiais militares no Rio. O primeiro deles ocorreu durante um assalto na Tijuca em que um cabo do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, tropa de elite da polícia fluminense, foi arrancado do carro e morto com seis tiros na noite de terça-feira na Tijuca, na Zona Norte. Na manhã, três soldados da Polícia Militar foram mortos em uma emboscada no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste. De acordo com a Polícia Militar, 104 PMs foram assassinados quando estavam de folga este ano e 25 morreram em serviço. A morte em um assalto do cabo Claudio Adonai Cavalcanti Xavier, do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, revoltou os homens da tropa de elite fluminense. O cabo foi morto em um assalto nas esquinas das ruas Campos Sales e Martins Pena, na Tijuca. A câmera do circuito de segurança de um prédio gravou o assassinato. As imagens mostram o cabo sendo arrancado do carro por dois homens que chegaram a pé e sendo baleado na calçada. Os bandidos levaram a arma -do policial e o Vectra 1.0 que pertenceria a namorada dele, de acordo com a PM. Seis tiros teriam atingido o policial que trabalhava na sala de operações do Bope. Ele foi levado ao Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio (Zona Norte), mas não resistiu e morreu de madrugada. Durante à tarde, policiais do Bope foram até o Morro do Turano a procura dos assassinos do cabo. O menino R.M.P., de 8 anos, foi baleado no cotovelo, socorrido no Hospital Souza Aguiar e liberado. Duas pessoas foram detidas e levadas para a 6ª Delegacia de Polícia da Cidade Nova para averiguação. O crime mais violento foi a emboscada sofrida pelos soldados da PM lotados no 23º Batalhão de Polícia Militar do Leblon. Marco Aurélio dos Santos, de 33 anos, Reinaldo Surrage Calheiros, 30, e José Avelar Costa Porto, 37, foram mortos com vários tiros quando iam para o trabalho por volta das 5h30 de ontem. A perícia recolheu 81 cápsulas deflagradas nas esquinas das ruas Auto Rio Doce e Bilac . Pelo menos quatro homens em dois carros usaram armas de diversos calibres para executar os PMs, de revólver 38, pistolas automáticas e até fuzis. Apenas ao lado do carona do Vectra azul-marinho, cuja placa era de Campo Grande (Mato Grosso), 28 perfurações de tiros eram visíveis visíveis. As armas dos policiais e a carteira de um dos PMs carteira foram roubadas. Segundo testemunhas, os policiais reagiram. Um dos tiros atingiu o muro e o carro dentro da garagem de uma casa. "Eles reagiram, pois o soldado Santos morreu fora do carro, mas ao meu ver não tiveram chance. Foi um crime típico de vingança e nenhuma hipótese pode ser descartada", declarou o delegado-titular da 35ª Delegacia de Polícia Luiz Alberto Nunes. Ele vai apurar o possível envolvimento dos PMs com milícias (grupos paramilitares de policiais que expulsam o tráfico e cobram pela proteção aos moradores de favela), a máfia dos caça-níqueis e a do transporte alternativo da região. Os PMs foram transferidos há seis meses do 14ºBPM de Bangu para o 23ºBPM do Leblon. "Vamos buscar com a PM as informações sobre a conduta destes policiais. A princípio, não acredito que eles foram vítimas do tráfico e até agora nenhum inquérito comprovou a existência de milícias aqui", afirmou o delegado, apesar das inúmeras denúncias e várias mortes na região ligadas ao confronto entre traficantes e milicianos. Um dos poucos parentes ao distrito, o motorista de van e tio do soldado Calheiros, Paulo Roberto Ramos Calheiros disse desconhecer o motivo da barbárie. "Meu sobrinho não nos informava tudo sobre a vida dele, mas nunca soubemos de qualquer envolvimento dele com nada ilegal", disse o motorista. A Corregedoria de PM informou que um dos mortos tinha ficha judiciária, mas a Assessoria de Comunicação da PM proibiu a divulgação da informação. Já o chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, coronel Samuel Dionísio, disse que o crime "causa comoção e não deve ficar impune" e defendeu a apuração sobre as ligações das vítimas com o crime organizado. O tenente-coronel Carlos Eduardo Milan, comandante do 23ºBPM disse que vai colaborar com as investigações, mas prometeu "caçar os assassinos". "A tragédia poderia ter sido maior, pois eles iam dar carona a outro PM", disse Milan.

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