Menino de 8 anos morre em incêndio em prédio do Rio

Corpo da criança foi encontrado carbonizado dentro de armário da cobertura de edifício em Copacabana

Clarissa Thomé, da sucursal do Rio,

10 de fevereiro de 2008 | 11h08

Um menino de 8 anos morreu carbonizado durante um incêndio na cobertura de um edifício em Copacabana, na zona sul, na madrugada deste domingo, 10. Matheus Guimarães Santana dormia num dos três quartos do segundo andar do apartamento e não conseguiu escapar. Parentes do menino entraram em desespero quando o corpo foi encontrado, por volta das 6 horas.  Os familiares de Matheus chegaram a ouvir os gritos do menino. Primos dele, que também moram no edifício, tentaram retirá-lo do local, mas não o encontraram em meio à fumaça. Chegaram a pensar que Matheus tivesse conseguido escapar e procurado abrigo na casa de algum vizinho.   O Corpo de Bombeiros foi avisado do incêndio às 3h25. Matheus dormia sozinho no quarto ao lado em que estava seu avô, que conseguiu escapar. Outras duas pessoas dormiam no primeiro andar da cobertura. Uma delas, Rafael de Oliveira, de 28 anos, tio do menino, sofreu intoxicação. Ele foi atendido pela ambulância dos bombeiros e liberado no local.  O fogo era intenso e bombeiros dos quartéis de Copacabana e do Humaitá levaram duas horas para controlar as chamas. Somente às 6 horas conseguiram entrar no quarto em que estava Matheus.  "Somente a perícia poderá esclarecer onde começou o fogo, mas possivelmente foi naquele quarto, porque as chamas ali estavam muito altas. O apartamento tinha rebaixamento de gesso, que veio abaixo. O corpo dele estava encoberto por gesso, madeira. Acredito que ele tenha morrido antes mesmo da chegada dos bombeiros", disse o tenente-coronel André Gustavo Belchior dos Santos, comandante do quartel de Copacabana.  Os bombeiros tiveram dificuldade de chegar ao cômodo justamente por causa do fogo intenso. O corpo do menino estava junto ao armário de roupas, que também foi destruído pelas chamas. "É possível que ele tenha tentado se esconder no armário, a fim de se proteger, mas não dá para dizer ao certo porque pouca coisa restava do móvel", comentou Santos. O jornalista Fernando Abelha, tio-bisavô do menino, contou que o fogo realmente começou no quarto de Matheus. Ele era filho único e morava com a mãe, Paula Salles, e os avós, Paulo Salles e Dalva Salles. Abelha disse ainda que o aparelho de ar-condicionado estava desligado, mas que havia um ventilador de teto funcionando no momento em que começou o incêndio. O fogo destruiu toda a cobertura. Técnicos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) chegaram ao local pela manhã. O laudo da perícia, com as causas do incêndio, só deve ser divulgado em duas semanas. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte do menino.  O corpo de Matheus foi enterrado no fim da tarde deste domingo, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Sobre o caixão branco, uma bandeira do Vasco, time pelo qual torcia. Paula, mãe do menino, chegou ao cemitério amparada. O pai, Vinícius Santana, precisou ser sedado e não foi ao velório. Cerca de 300 pessoas acompanharam o cortejo.  Havia poucas crianças. "Ele era um menino alegre, querido, muito ligado à família. Tinha muitos primos da mesma idade. Mas preferimos que as crianças não viessem", disse Abelha. No momento do enterro, um violonista tocava Ave Maria.

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