Miliciano é morto após fazer transmissão ao vivo durante suposta ocupação de favela

Hipótese é que ele tenha sido morto pelos próprios comparsas, como retaliação pela divulgação das imagens; Polícia Civil investiga o caso

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2017 | 19h00

RIO - Um integrante de milícia (grupo armado que controla favelas e extorque moradores oferecendo proteção contra traficantes) foi encontrado morto a tiros neste sábado, 16, menos de 24 horas após fazer uma transmissão ao vivo pelo Facebook se gabando de ter dominado a favela Nogueira, em Realengo (zona oeste do Rio), junto com seus comparsas, e expulsado traficantes da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos). A Polícia Civil investiga o caso, mas ainda não sabe quem matou o rapaz. Uma hipótese é que ele tenha sido morto pelos próprios comparsas, como retaliação pela divulgação das imagens.

“Estou ao vivo no Nogueira. Tomei! Nogueira é nosso! Perdeu. É o Bonde dos Cria. Acabou ADA no Jardim Novo”, afirma no início do vídeo o rapaz, identificado pelos comparsas com o apelido de Cigarrão. “Bonde dos Cria” seria o nome da milícia. “Já estou cobrando o comércio. Acabou a palhaçada”, continua Cigarrão no vídeo, referindo-se à primeira cobrança instituída pelos milicianos, para autorizar que comerciantes continuem trabalhando.

Ao longo do vídeo, de pouco mais de três minutos, Cigarrão mostra vários comparsas, alguns deles armados com fuzis. Um deles se preocupa com a repercussão das imagens e pergunta ao comparsa: "Tu vai jogar no Face (Facebook)?” Cigarrão nega e diz que iria excluir o vídeo.

Como a transmissão foi feita ao vivo, no entanto, as imagens estavam sendo transmitidas imediatamente, e o próprio Cigarrão afirma, mais tarde, que “deve estar o maior bondão na cadeia assistindo”. A polícia não sabe a que horas o vídeo foi gravado, mas estima que tenha sido no amanhecer de sábado.

No sábado, Cigarrão foi morto a tiros. Imagens de seu rosto deformado pelas balas foi divulgado pelas redes sociais.  A morte está sendo investigada pela Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco).

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