Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Militares reforçam patrulhamento nas zonas norte, sul e central do Rio

Reforço vai abranger 'áreas de grande circulação de pessoas e veículos na cidade'; ronda na Vila Kennedy continua

Fábio Grellet e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

26 Março 2018 | 18h31
Atualizado 27 Março 2018 | 01h08

RIO - Após um fim de semana violento no Rio e 39 dias do início da intervenção na segurança, as Forças Armadas anunciaram nesta segunda-feira, 26, reforço no patrulhamento de ruas nas regiões norte, sul e central da cidade. Nesta segunda pela manhã, um homem morreu em troca de tiros com policiais na Favela da Rocinha, zona sul, que tem vivido uma escalada da violência. Em seis dias, 11 pessoas morreram baleadas na comunidade. Ainda nesta segunda, à noite, um shopping em Botafogo, também na zona sul, fechou as portas após tiroteio no local. 

O reforço foi anunciado nesta segunda pelo Gabinete de Intervenção Federal. Além dos militares, participam do esquema agentes da Força Nacional, PMs e guardas-civis. Nesta segunda, as tropas circularam pela cidade e fizeram reconhecimento para escolher os pontos onde permanecerão a partir desta terça, 27. 

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Segundo o gabinete, alguns pontos já selecionados são o cruzamento das Avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, no centro, a Praia de Copacabana na altura do Copacabana Palace, e a orla de Botafogo na altura do Botafogo Praia Shopping – onde houve o tiroteio nesta segunda. O órgão não informou quantos agentes estão envolvidos.

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Ao Estado, o interventor, general Walter Braga Netto, disse há uma semana que a ação federal é “gerencial” e não vai privilegiar tropas nas ruas. Segundo ele, a ideia é construir um modelo de gestão de segurança pública, com integração das polícias. 

Medo. O morto na Rocinha, diz a PM, era traficante e entrou em confronto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope). Um fuzil foi apreendido. Na favela, a onda recente de violência espalhou pânico, fechou escolas e encurralou moradores. Na quarta, um idoso e um PM morreram na favela. No sábado, operação policial terminou com oito mortos. Em seis meses, são 128 registros de tiroteios ou disparos na favela, com 48 mortos e 44 feridos, segundo a plataforma colaborativa Fogo Cruzado. 

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Na mesma região, por volta das 20 horas, o Botafogo Praia Shopping fechou, após tentativa de assalto a uma joalheria, e os clientes foram orientados a sair. Pelo menos três bandidos, que circularam pelos corredores vestidos como faxineiros, entraram na loja e anunciaram o roubo. Quando vigias tentaram evitar o crime, os ladrões atiraram pelo menos três vezes, sem atingir ninguém. 

O bando recolheu objetos e fugiu para o estacionamento, onde renderam um cliente, que foi obrigado a levá-los embora, em seu carro. Essa vítima deixou o grupo em São Cristóvão, zona norte. Ninguém se feriu nem havia sido preso até 23h15. 

Também nesta segunda, a TV Globo flagrou homens armados disparando contra outro grupo nas favelas Bateau Mouche e Chacrinha, na zona oeste. A suspeita é de que sejam milicianos. 

Outra milícia é apontada como autora da chacina que deixou cinco jovens mortos em Maricá, na Grande Rio, no domingo, segundo a Polícia Civil. Testemunhas contaram ter ouvido os assassinos dizerem: “Aqui é milícia e vamos voltar”.

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