Ministério Público pede prisão de PMs acusados de matar adolescente

Policiais atiraram em dois jovens na favela da Palmeirinha, na zona norte do Rio, em 20 de fevereiro; um morreu e outro ficou ferido

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2015 | 22h47

SÃO PAULO - O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu nesta quinta-feira (9) a prisão preventiva de dois policiais militares acusados de atirar contra dois jovens inocentes na favela da Palmeirinha, em Honório Gurgel, na zona norte do Rio, às 23h07 de 20 de fevereiro. O estudante e ajudante de pedreiro Alan Souza de Lima, de 15 anos, morreu. Seu amigo Chauan Jambres, de 19 anos, baleado no peito, foi socorrido a tempo e está recuperado.

No carro havia três policiais militares. O sargento Ricardo Wagner Gomes, autor dos tiros, foi denunciado por homicídio doloso (qualificado por não permitir a defesa da vítima, baleada pelas costas), tentativa de homicídio e fraude processual. O soldado Alan de Lima Monteiro foi denunciado por fraude processual. O terceiro PM foi considerado inocente e arrolado como testemunha. Os três estão afastados das ruas, desempenhando funções administrativas.

Na época do crime, o sargento e o soldado afirmaram à Polícia Civil que participaram de um confronto com bandidos e que, ao final, encontraram os dois jovens feridos. Eles apresentaram dois revólveres que, segundo acusaram, haviam sido apreendidos com a dupla. Por conta disso, Chauan chegou a ficar preso, acusado de porte ilegal de arma e resistência.

A versão dos PMs, no entanto, foi desmentida por imagens gravadas pelas câmeras da viatura da PM. As imagens demonstram que não havia nenhum confronto entre os policiais e criminosos na hora em que a viatura se aproximou dos dois jovens. Eles estavam perto de uma esquina e foram atacados conscientemente. Os policiais pararam e socorreram os jovens, mas Alan morreu no hospital.

Outras imagens, gravadas pela câmera do celular de Alan e divulgadas pela família dele logo após o episódio, já demonstravam que os policiais haviam mentido, mas não mostravam a sequência da ação.

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