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Polícia civil diz que corpo achado em Maricá é de turista australiano

Jovem de 25 anos estava desaparecido desde o dia 21 de maio

Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2016 | 11h34

RIO - A Polícia Civil do Rio confirmou neste sábado, 11, que o corpo encontrado na última quarta-feira em Maricá, cidade na região metropolitana do Rio, é do australiano Rye Hunt, de 25 anos, que estava desaparecido desde 21 de maio. A identificação foi feita com exames antropológicos (sexo, idade e ancestralidade), fotografias e radiografias.

 

Segundo a Polícia Civil, não foi possível determinar a causa da morte em razão do avançado estado de decomposição do corpo. Mais cedo, a ministra das Relações Exteriores da Austrália, Julie Bishop, também confirmou para a imprensa do País que o corpo achado é de Hunt.

A família do turista recebeu a confirmação pela Embaixada australiana no Rio. A ministra declarou que o governo do País trabalhará para dar todo suporte necessário à família de Hunt. “Nós continuaremos a trabalhar com as autoridades brasileiras para esclarecer os motivos da morte”, afirmou Bishop a repórteres em Melbourne.

Na página do Facebook “Find Rye Hunt” a família divulgou um comunicado após a confirmação da morte do jovem. Eles informam que foram avisados da confirmação, que ocorreu após testes clínicos no corpo. Foi pedida privacidade neste momento.

“Nós estamos com o coração partido. Rye era o integrante mais novo da nossa família e era conhecido por ser leal, amoroso e generoso (...) Sentiremos muita falta dele”, disse no comunicado Romany Brodribb, irmã do australiano. 

Já a namorada do australiano, Bonnie Cuthbert, disse que se sente abençoada por ter dividido os últimos cinco anos de sua vida com Hunt, a quem chama de “ursão”. “Nós fomos muitos sortudos de termos nos encontrado e nos amado tão profundamente. O amor que eu e Rye dividimos permanecerá dentro de nós, para sempre.”

Histórico. Hunt chegou ao Rio no dia 16, acompanhado pelo amigo Mitchell Sheppard. Eles se hospedaram em um albergue na Lapa, na região central da capital fluminense. Na madrugada do dia 21, eles teriam usado ecstasy de maneira inadequada - segundo a delegada, em vez de diluir a droga em água, os australianos a aspiraram - e foram a uma casa noturna no mesmo bairro.

Durante a festa, a dupla teria aspirado mais ecstasy, bebido vodca e entrado em surto psicótico. Após causar tumulto, eles foram expulsos da casa noturna e retornaram ao albergue, mas Hunt teria se recusado a entrar no quarto compartilhado, pois acreditava estar sendo perseguido por alguém que queria matá-lo, segundo o amigo disse à polícia. Por isso, só entrou no quarto compartilhado em um momento em que não havia mais nenhum hóspede.

Eles ficariam no Rio até o dia 24. Sheppard disse ter sugerido que os dois antecipassem a viagem para a Bolívia, próxima etapa do passeio que faziam pela América do Sul. Eles foram de táxi ao Aeroporto Internacional, onde Hunt teria tido outro surto. Ele desistiu de viajar e foi sozinho de táxi para Copacabana (zona sul), onde alugou um apartamento por três dias, pelos quais pagou US$ 200.

Na segunda-feira, 30, um pescador informou a Polícia Civil que no dia 22 viu Hunt na ilha de Cotunduba, a 2 km da praia do Leme, zona sul. O australiano teria chegado a nado à ilha e tinha ferimentos no corpo, possivelmente causado por mariscos presos às rochas da ilha. A pedido da polícia, bombeiros fizeram buscas na ilha, que é inabitada, mas não encontraram ninguém.

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