Missa e passeata lembram chacina da Candelária no RJ

Ato reúne 400 pessoas, que protestam contra o projeto de redução da maioridade penal

Pedro Dantas, do Estadão

23 Julho 2007 | 18h28

Uma missa seguida de uma passeata lembrou os 14 anos da chacina da Candelária, ocorrida na madrugada de 23 de julho de 1993, no Centro do Rio. O ato reuniu 400 pessoas, segundo a PM. Os manifestantes, entre eles muitas crianças, protestaram contra o projeto de redução da maioridade penal e criticaram a atual política de segurança pública adotada pelo governo estadual.   "As mortes ocorridas no Complexo do Alemão são a continuidade das mortes de oito crianças há 14 anos. A indiferença da elite administrativa, que só lembra dos excluídos em tempos de eleição, é o maior ingrediente da violência", declarou o presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, desembargador Siro Darlan.   Dos seis PMs julgados pelas mortes dos oito meninos de rua na Candelária, três foram condenados e os outros absolvidos.   Diversas entidades divulgaram um documento em defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente e com um levantamento feito em 2004 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, cujos dados apontam que apenas 0,2 da população entre 13 e 18 anos cometeu atos infracionais, sendo que 73,8% destas infrações seriam crimes contra o patrimônio e não contra a vida.   A prisão de um homem que furtou um agente da Força Nacional de Segurança em um prédio comercial assustou os manifestantes na avenida Rio Branco. Na Cinelândia, as crianças cantaram o hino nacional e fizeram uma ciranda.   O presidente exonerado da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, João Tancredo, afastado após denunciar indícios de execuções na operação policial do Complexo do Alemão, criticou duramente a entidade. "A OAB se tornou um castelo fechado para questões populares", disse ele.

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