Monomotor cai no RJ e provoca 4 mortes

Até o momento, a única vítima confirmada é Frederico Carlos Xavier de Tolla, piloto do avião

Felipe Werneck, Nilson Brandão e Talita Figueiredo,

02 de março de 2008 | 20h50

Um avião monomotor Cirrus, modelo SR 22, caiu nesse domingo, 2, matando seu piloto e três passageiros, em um galpão em obras na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade, entre uma concessionária da Citroën e o Restaurante Cervantes, na Avenida das Américas. O acidente ocorreu a 60 metros de um condomínio com prédios de quatro andares, nos fundos do galpão, onde famílias aproveitavam o dia de sol forte para fazer um churrasco e, atônitas, assistiram à queda da piscina. No momento do acidente, houve pânico, gritos e correria. Veja também:Empresário catarinense morre em queda de avião no RJQueda de monomotor deixa quatro mortos na Barra da Tijuca A aeronave decolou às 11h43 do Aeroporto de Jacarepaguá, que fica a cerca de dois quilômetros do local, e caiu logo em seguida. Um piloto do Clube Esportivo de Vôo, Araújo Francisco de Assis, disse ter ouvido pelo rádio um alerta, quinze segundos após a decolagem, de que havia sinais de fumaça no Cirrus. Mas o piloto não respondeu. "Logo em seguida, o avião entrou em parafuso e caiu de bico ao lado da Citroën." Segundo ele, pode ter havido uma pane elétrica - quando isso ocorre, geralmente o rádio não funciona. O piloto, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), era Frederico Carlos Xavier de Tolla. Aposentara-se como comandante da Varig, no fim dos anos 90, e era considerado muito experiente. Terminou a carreira na empresa pilotando jatos MD-11, com capacidade para 284 passageiros e que fazem vôos transcontinentais. Além disso, trabalhou como instrutor e checador de pilotos da Varig. Voava havia 44 anos e completaria 66 anos de idade em 2008. Tolla e os três passageiros do Cirrus teriam participado de um evento promocional do fabricante em Barra do Piraí, cidade do interior do Rio de Janeiro, e pararam no Aeroporto de Jacarepaguá para abastecer. Seguiriam para Florianópolis. No início da noite, a Polícia Civil confirmou oficialmente os nomes dos mortos: além de Tolla, o empresário Joci Martins, identificado como vice-presidente do Sindicato da Construção Civil de Florianópolis, além de Silvio Pedro Donzela e Gilmar Sidnei Toni. Ex-superintendente internacional de vendas da Varig, Guilherme Cartolano contou que Tolla, comandante aposentado da Varig, havia se mudado do Rio para Santa Catarina "para ter uma vida mais decente lá do que essa que a gente tem aqui" - ele se referia à violência do Rio. Segundo ele, o Cirrus era novo. "Tinha cerca de um mês. Foi a primeira vez que ele posou em Jacarepaguá. Eles vieram só para abastecer e seguiriam para Florianópolis, mas houve um problema na decolagem. O Tolla era um experiente comandante de MD-11. Sentiu o problema e ainda tentou voltar. Quando decolou já tinha fumaça." O piloto Alonso Júnior visitou o local do acidente e disse acreditar nas hipóteses de pane elétrica ou vazamento de combustível. "O avião estava em chamas. Parece que algumas pessoas viram o piloto cortar o motor para tentar um pouso. Não daria para usar o pára-quedas do avião (o modelo é dotado deste equipamento) porque não tinha altura suficiente. Pra mim, houve vazamento de combustível ou pane elétrica. Pode ser que a cabine estivesse cheia de fumaça", declarou. ANAC A Anac informou que o monomotor estava registrado em nome da empresa Cisa Trading, em Santa Catarina. Seu prefixo era PR-IAO e tinha capacidade para o piloto e três passageiros. Segundo a Anac, o avião tinha o certificado de aeronavegabilidade - que envolve manutenção e seguro obrigatório - em dia. A carteira de habilitação e exame de saúde do piloto também estavam atualizados. O local onde a aeronave caiu tem 2,5 mil metros quadrados e está em obras para a construção de um "shopping de carros". O delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, titular da 16.ª Delegacia de Polícia, disse que um laudo preliminar sobre o acidente deverá ser concluído em um mês, e o definitivo em até 90 dias. Segundo ele, a apuração será feita em conjunto com a Anac e a Aeronáutica. "É prematuro afirmar qualquer coisa agora sobre as causas. Não vou confirmar isso (se houve pane)." Ele confirmou apenas que documentos indicam que o avião foi fabricado em 2007.

Tudo o que sabemos sobre:
Cirrusquedacondomínio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.