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Moradora de rua é morta por homem após pedir R$ 1 em Niterói

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Aderbal Ramos de Castro atira em Zilda Henrique dos Santos Leandro, a Néia; veja o vídeo

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 11h16
Atualizado 21 de novembro de 2019 | 12h06

RIO - Uma moradora de rua foi morta a tiros no centro de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, depois de pedir esmola a um homem. O crime aconteceu na madrugada do sábado e foi registrado por câmeras de segurança. Aderbal Ramos de Castro acabou preso nesta terça-feira, 19.

Segundo a polícia, Zilda Henrique dos Santos Leandro, de 31 anos, conhecida como Néia, abordou Castro, que caminhava pela Rua Barão de Amazonas, e pediu R$ 1, por volta das 5h20. Imagens de câmeras de segurança da prefeitura mostram o momento em que a mulher aparece falando com ele e gesticulando. Castro tenta desviar da mulher, mas ela o segue. 

Na sequência, ele saca um revólver de calibre 38 e dispara duas vezes contra Néia. Depois, o homem sai andando sem pressa pela calçada, segurando a arma, enquanto a vítima agoniza no chão. Outra mulher, que testemunhou o crime, tenta pedir ajuda a motoristas que passam pelo local, mas ninguém para.

Após a chegada da polícia, finalmente Néia é socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada para o Hospital Estadual Azevedo Lima, também em Niterói, onde acabou morrendo. Policiais da Delegacia de Homicídios (DH) de Niterói identificaram o criminoso pelas imagens das câmeras de segurança. 

Castro é dono de um comércio na região e faz o mesmo trajeto a pé todos os dias. Ele não tinha antecedentes criminais. Ao ser preso, confessou o crime, mas alegou ter agido em legítima defesa, porque a mulher estaria tentando roubá-lo.

“Ele é dono de uma lanchonete que fica ali perto e estava a caminho do trabalho quando o fato aconteceu. Já foi assaltado outras vezes naquela região e por isso reagiu”, afirmou a advogada Daniela Lopes, que defende Castro.

Para o delegado Bruno Reis, que investiga o caso, a hipótese é “fantasiosa”. “Pelo menos até agora, a hipótese alegada de legítima defesa é fantasiosa. No depoimento, ele disse que não sabia nem se a vítima era homem ou mulher. Apenas que se assustou por achar que seria assaltado e atirou.”

Conforme o delegado, Castro é o dono da arma e tem posse dela, por isso pode mantê-la em casa ou no local de trabalho, mas não tem porte – por isso, não pode andar armado pela rua, como aconteceu no dia do crime. “Ele confirmou que mantinha aquela arma em casa e naquele dia decidiu levá-la ao trabalho porque tinha medo de ser assaltado no caminho.”

Nesta quarta-feira, 20, uma irmã de Néia foi à DH de Niterói para prestar depoimento. Muito emocionada, ela contou que a irmã pretendia comprar pão. “Minha irmã só pediu R$ 1 para comprar pão. Ele ficou de graça, dizendo que iria dar um tiro nela. Minha irmã falou que duvidava e foi atrás dele. Foi quando ele atirou”, disse a mulher, que não quis se identificar, alegando receio de ser alvo de vingança de Castro. “Minha irmã tinha casa, mas preferia ficar na rua. Nunca imaginei que algo assim poderia acontecer com ela.”

Veja o vídeo:


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