Cedae
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Moradores das zonas norte e oeste do Rio relatam falta de água; Cedae diz que vai retomar produção

Interrupção aconteceu nesta segunda-feira, após constatação da presença de detergente na água; deputado pede abertura de CPI para investigar crise da água

Marcio Dolzan e Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2020 | 08h50
Atualizado 04 de fevereiro de 2020 | 16h21

RIO - A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Estado do Rio (Cedae) anunciou no início da manhã que irá retomar ainda nesta terça-feira, 4, a produção de água (potável) na Estação de Tratamento de Guandu, que havia sido interrompida no fim da tarde de segunda-feira. Nas redes sociais, moradores de alguns bairros das zonas norte e oeste do Rio já reclamavam que estavam sem água nas torneiras.

A suspensão da produção ocorreu após a Cedae ter identificado, por meio de análise laboratorial, a presença de detergentes na água bruta que chega à Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu. A diretoria de Saneamento e Grande Produção da Cedae decidiu, então, fechar as comportas da entrada do canal principal da estação. Segundo a Cedae, o detergente fora arrastado para o sistema pelas fortes chuvas registradas na região metropolitana do Rio desde a noite de domingo, 2.

Nesta terça, a Cedae anunciou a retomada e ressaltou que “a interrupção foi necessária para assegurar a qualidade da água”. Segundo a companhia, e o abastecimento será retomado de forma gradual.

O Estado do Rio de Janeiro enfrenta problemas com a água desde o início de janeiro devido à presença de geosmina, um composto orgânico formado pela proliferação de algas, que deixa a água com cheiro e gosto de terra.

CPI para investigar a crise da água

O deputado Luiz Paulo (PSDB) entrou nesta terça-feira, 4, com o pedido de abertura da CPI da Cedae, a fim de apurar a má qualidade da água no Rio. Com a assinatura de 24 parlamentares, o documento estava pronto desde o dia 21 de janeiro, mas só foi entregue oficialmente hoje, dia em que a Assembleia Legislativa (Alerj) retorna aos trabalhos.

Em meio à crise da água, o governador Wilson Witzel (PSC) não compareceu à Casa para a abertura do ano legislativo. Mandou como representante o secretário de Casa Civil, André Moura, que era um dos principais aliados de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados. Ele foi vaiado ao entrar no plenário.

"O parlamento tem que ser respeitado e é soberano para decidir", disse Moura sobre a CPI ao deixar o plenário.

Ao apresentar o pedido, Luiz Paulo afirmou que o problema precisa de soluções "a curto e médio prazo". Ele disse, contudo, que ainda não teve um posicionamento do presidente André Ceciliano (PT).

Outro deputado que apresentou medida formal contra a qualidade da água foi o petista Waldeck Carneiro, que entrou com um projeto de lei que pede a responsabilização dos gestores pela má qualidade da água.

A crise gerou uma correria nos bastidores da Alerj: vários deputados querem mostrar que estão tomando atitudes a respeito. Rodrigo Amorim (PSL) e Chicão Bulhões (Novo), por exemplo, também têm projetos de CPI.

Witzel sofre primeira derrota do ano na Alerj

Antes mesmo de o plenário retomar as atividades, o governador sofreu sua primeira derrota na Casa. O nome indicado por ele para a Agência Reguladora de Saneamento (Agenersa), Bernardo Pegoraro Sarreta, foi rejeitado pela Comissão de Normas Internas e Proposições Externas.

O parecer contrário à nomeação foi assinado pelo deputado Márcio Canella (MDB) e aprovado por unanimidade.

 

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