Moradores do Alemão fazem fila para cadastramento no PAC

Cerca de 1500 moradores compareceram ao primeiro dia de cadastramento para trabalhar nas obras na favela

Pedro Dantas, de O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2008 | 20h47

Cerca de 1500 moradores do Complexo do Alemão compareceram ao primeiro dia de cadastramento para trabalhadores nas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no conjunto de favelas da Zona Norte. Os primeiros cadastrados chegaram às 22 horas de quarta-feira e dormiram na fila do Posto Móvel da Secretaria Estadual de Trabalho e Renda, que ficou na entrada da Favela da Grota.  Veja Também:PAC vai causar conflitos no Alemão, diz Sérgio Cabral  Pela manhã, a fila ultrapassava um quilômetro. O forte sol e a aglomeração fizeram com que o cadastramento das mulheres fosse transferido para a Associação de Moradores, no interior da comunidade. O cadastro será enviado para as empresas vencedoras da licitação, que devem abrir cerca de 1800 vagas. Além do Alemão, houve cadastramento na Rocinha (Zona Sul ) e Manguinhos (Zona Norte).  Na Grota, o secretário estadual de Trabalho e Renda, Alcebíades Sabino, disse que o cadastramento transcorreu "de forma tranqüila". Ele afirmou que cerca de 20% das vagas serão destinadas ao sexo feminino. As oportunidades são para funções na área de construção civil, como serventes, ajudantes, carpinteiros, eletricistas, marceneiros, pedreiros e armadores de andaimes. A estimativa é que as faixas salariais para os cargos variem de R$ 600 a R$ 900.   "Se precisar, eu viro até concreto", disse a faxineira desempregada Andréia da Silva Francisco, de 36 anos, nascida e criada na Favela da Galinha. Com seis filhos, ela, como a maioria que aguardava na fila, nunca teve a carteira de trabalho assinada. Ela chegou com a prima Renata Francisco da Silva, de 30 anos, às 6h de ontem, em busca de um lugar na fila. "Acho a chance ótima, mas só acredito quando começar a trabalhar", disse Renata, que também tem seis filhos e mora com a mãe, após se separar . O presidente da Associação de Moradores da Grota, Wagner Nicácio, disse que o estigma social que ronda os moradores do Complexo do Alemão termina em desemprego. "Antes, os moradores eram reprovados nos exames de admissão pela baixa escolaridade. Agora, são pelo CEP", declarou Nicácio. Ele negou que traficantes ameaçaram os moradores que comparecessem ao cadastramento. "A maior ameaça aqui é o desemprego. Se houvesse esta pressão, aqui não estaria lotado", disse o líder comunitário. O auxiliar administrativo desempregado, Alessandro de Jesus, de 23 anos, concorda. "Moro na Grota. Vários amigos vieram e ninguém foi pressionado. Já tenho quatro filhos e só estudei até a sexta série. Nada me impediria de estar aqui", disse o rapaz.

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