Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Moradores do Morro de São Carlos protestam em enterro de dupla encontrada morta na 6ª

Familiares acusam policiais do Bope pelos crimes; como forma de protesto, dois ônibus foram incendiados nas imediações do morro

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2015 | 15h39

Atualizado às 19h25.

Foram enterrados na tarde deste sábado os mototaxistas Ramon de Moura Oliveira, de 22 anos, e Rodrigo Marques Lourenço, de 29, cujos corpos foram encontrados sexta-feira de manhã no alto do Morro de São Carlos, na região central do Rio. O enterro foi marcado por protestos. Familiares e amigos usavam camisetas em homenagem aos dois mortes e faixas pedindo justiça foram exibidas.

Um grupo de mototaxistas entrou num cortejo de motos no cemitério do Catumbi, próximo à favela. Após o enterro, os mototaxistas seguiram para a frente do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado do Rio, que fica a poucos minutos da saída do Túnel Santa Bárbara, que liga a região do Catumbi e do Rio Comprido a Laranjeiras, na zona sul do Rio. Depois, um grupo se reuniu no Largo do Estácio, principal acesso ao Morro de São Carlos, e fizeram novo protesto.

De manhã, funcionários consertavam fios de telefonia na Rua Estácio de Sá, que dá acesso ao morro. Eles foram danificados com o incêndio de dois ônibus, em protesto pelas mortes dos dois, na sexta-feira. A madrugada foi descrita como tranquila pelos moradores e o comércio abriu normalmente.

A polícia acompanhou as manifestações. Não foram registrados incidentes. A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que as investigações sobre as duas mortes não tiveram novidades neste sábado. Segundo informações de sexta-feira, a Delegacia de Homicídios da Capital (DH) fez a perícia de local e ouviu testemunhas. Nenhum laudo ficou pronto nesta sábado. Novas testemunhas deverão ser ouvidas na segunda-feira.

A PM tenta conter uma guerra entre facções de traficantes rivais que vem apavorando a população das seis favelas da região, Coroa, Fallet, Fogueteiro, Querosene, Mineira e São Carlos. O confronto estourou a despeito das duas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas há quatro anos, e já soma 12 mortos.

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