Moradores do Morro dos Prazeres questionam remoções prometidas por prefeitura

Moradores do Morro dos Prazeres questionam remoções prometidas por prefeitura

Famílias cadastradas pela Defesa Civil não sabem onde serão reassentadas

Gabriela Moreira

11 de abril de 2010 | 19h22

RIO - No Morro dos Prazeres, onde pelo menos 30 pessoas morreram em função dos deslizamentos, moradores estão desconfiados das promessas de novas casas para quem for removido. Segundo o prefeito Eduardo Paes, mil famílias serão reassentadas em um condomínio que será construído no terreno do antigo Complexo Penitenciário da Frei Caneca, no Centro.

 

Neste sábado, 10,  no quarto dia de cadastramento das famílias pela Defesa Civil, moradores questionavam a decisão da prefeitura. "Até agora, ninguém veio nos perguntar e nem nos comunicar como e para onde nós iremos ", afirmou o economista Nestor Bordini, de 43 anos.

 

Com o auto de interdição nas mãos, ele criticou a forma como a prefeitura está conduzindo as interdições. "Ninguém foi em minha casa para avaliar os riscos. O prefeito fez o mapeamento pelo helicóptero? Isso é, na verdade, um auto de isenção de responsabilidade. Só serve para o prefeito dizer que avisou, no caso de as casas caírem", criticou o economista, que teve a casa interditada na última quarta-feira, mas ainda não saiu do imóvel.

 

Leondras José de Moura, de 52 anos, que depois de ter a casa interditada foi ouvido pela secretaria municipal de Habitação, reclamou não poder escolher o local para onde será removido. "Eles só perguntam o número de pessoas na família. Não perguntam se queremos ir para o local onde querem nos levar".

 

Histórico

 

Parte da desconfiança da comunidade é resultado das ações da prefeitura na favela ao longo dos anos. O programa Favela Bairro, iniciado pelo governo do ex-prefeito César Maia, na década de 90, é um dos mais criticados. Além de ter favorecido a ocupação do morro, parte das promessas de urbanização não foram concretizadas. "Incentivaram a chegada de novos moradores e, depois disso, a urbanização ficou pela metade. Pontes e escadas ficaram incompletas. Na entrada da comunidade, uma praça não saiu do alicerce", reclamou Nestor. "O programa de reflorestamento, por exemplo, começou a ser feito no primeiro mandato do César Maia e foi interrompido por ele mesmo, no segundo mandato (2001-2004)."

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