Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Moradores e comerciantes da Praia da Macumba vão à Justiça por obra

Calçadão da orla afundou em um trecho de cerca de 600 metros; prefeitura promete início de trabalhos emergenciais até sexta

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 19h28

RIO - Moradores e comerciantes da Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro, acabam ajuizar ação civil pública pedindo que uma obra definitiva para recuperação da orla danificada pelo mar seja iniciada em 60 dias. Ao longo do último mês, o calçadão da orla afundou em um trecho de aproximadamente 600 metros, arrastando quiosques e coqueiros, por causa da força das ondas

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A prefeitura do Rio já está montando um canteiro de obras na região e promete começar trabalhos emergenciais de contenção dos desmoronamentos até sexta-feira, 20. As obras emergenciais garantem que a erosão não chegue aos prédios e casas da orla - que, segundo a Defesa Civil, ainda não estão em risco. No entanto, segundo especialistas, essa obra não resolve o problema estrutural da região.

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Especialista em engenharia costeira da Programa de Pós-Graduação e Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Coppe, e um dos responsáveis por um diagnóstico feito na região há 17 anos, Paulo Rosman afirmou que as obras na orla foram feitas sobre a chamada zona dinâmica da praia. Trata-se da faixa de areia que desaparece quando há ressaca, normalmente no outono e no inverno, e volta a surgir na primavera e no verão.

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Mas há ainda um agravante: um canal que drena água da região de Vargem Grande deságua na praia e, para evitar inundações, é permanentemente dragado. Ocorre que parte da areia retirada do canal para desbloqueá-lo, muitas vezes não foi devolvida à praia, aproximando ainda mais o litoral da rua.

As obras emergenciais, anunciadas pela prefeitura, estão orçadas em R$ 14,5 milhões. As obras definitivas, para resolver o problema da zona dinâmica e do canal, no entanto, custariam muito mais: até R$ 60 milhões. Até agora a prefeitura não se manifestou sobre isso.

A ação foi proposta pela Associação Nacional de Assistência ao Consumidor e ao Trabalhador contra o município e a União e pede uma liminar garantindo o início das obras definitivas em 60 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A ação reúne assinaturas dos moradores dos condomínios da orla e dos comerciantes.

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