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Moradores filmam PMs colocando arma na mão de vítima de 17 anos

Policiais alegam que houve confronto com criminosos e o rapaz morreu; vídeo postado nas redes mobilizou moradores da favela do Morro da Providência, na região central do Rio

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 18h30

Atualizada às 22h33

RIO - Policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Providência, na região central do Rio, são acusados de ter matado, na manhã desta terça-feira, 29, o jovem Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos. Os PMs alegam que o rapaz estava com criminosos com os quais trocaram tiros. No entanto, moradores filmaram e fotografaram o momento em que um PM coloca a arma na mão da vítima, já morta, e dispara duas vezes, forjando o confronto. As imagens foram divulgadas nas redes sociais.

Segundo a polícia, um grupo de PMs fazia uma ronda de rotina quando, na região da Pedra Lisa, se depararam com criminosos que atiraram contra os agentes. Os policiais revidaram e o adolescente, que estaria com uma pistola 9 mm e munição, morreu. A pistola e a munição foram apreendidas.

Foi realizada perícia no local onde o adolescente morreu, e as armas dos policiais foram recolhidas.

Após o confronto, moradores se reuniram e atiraram pedras contra os policiais, em um ato que durou cerca de uma hora e assustou quem passava de carro pelo local.

O caso foi registrado na 4ª DP (Praça da República), que vai investigar as circunstâncias da morte de Eduardo.

A denúncia mobilizou moradores da favela, que promoveram um protesto na região da Rua da América, atrás da estação ferroviária Central do Brasil. O ato foi acompanhado pela Polícia Militar e não houve confrontos.

À noite, moradores do Morro da Providência tentaram impedir que os cinco policiais militares acusados deixassem a 4ª DP, onde eles prestaram depoimento. Quando o grupo saiu rumo à 8ª Delegacia Judiciária Militar, que investiga o caso na esfera militar, moradores atiraram pedras e tentaram cercar a delegacia, enquanto chamavam os policiais de  "assassinos". A Polícia Militar dispersou os manifestantes usando bombas de gás.

O grupo, acusado de forjar um confronto com o adolescente, ficará preso administrativamente. No âmbito civil, o caso saiu da 4ª DP e passou à alçada da Delegacia de Homicídios da capital. Durante o dia, vários comerciantes que trabalham na vizinhança da Central do Brasil, numa área que é acesso para o Morro da Providência, preferiram manter seus estabelecimentos fechados.

Organização internacional. A Anistia Internacional divulgou nota em que repudia "a ação de policiais militares que, segundo imagens divulgadas", "mataram o jovem Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, no Morro da Providência, no Rio de Janeiro". "Além de fortes indícios de homicídio, os policiais forjaram a cena do crime, colocando um revólver (na verdade, uma pistola) na mão de Eduardo e efetuando disparos para possivelmente justificar uma situação de confronto e legítima defesa ", diz a nota.

Para a entidade, "a manipulação da cena do crime é fato recorrente na atuação na polícia do Rio de Janeiro e faz com que os autos de resistência ou homicídios decorrentes de intervenção policial sejam reiteradamente usados para encobrir assassinatos cometidos por policiais, que não são devidamente investigados ou responsabilizados". COLABOROU SERGIO TORRES

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