JOSE LUCENA/FUTURA PRESS
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Moradores do Complexo do Salgueiro retiram 8 corpos de mangue após operação policial

No domingo, houve intenso confronto após policiais do Bope iniciarem uma operação na região; no dia anterior, um sargento que foi ferido no local acabou morrendo no hospital. Caso será investigado

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2021 | 09h31
Atualizado 22 de novembro de 2021 | 17h23

RIO – Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), retiraram pelo menos oito corpos de uma área de mangue da região na manhã desta segunda-feira, 22. No domingo, policiais do Bope realizaram uma operação no local um dia após o policial militar Leandro da Silva ter sido ferido. O sargento, porém, acabou morrendo no hospital. O caso será investigado. 

A retirada dos corpos foi feita pelos próprios moradores. Bombeiros e policiais militares não foram vistos no local nas primeiras horas desta segunda. Os policiais civis, por sua vez, chegaram ao local apenas na metade da manhã.

Segundo a corporação, agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) etiveram no local realizando a perícia. As equipes também realizaram as primeiras diligências na região em busca de testemunhas e outras pistas para esclarecer a dinâmica das mortes.

De acordo com a PM, policiais militares foram atacados nas proximidades do manguezal no domingo e houve intenso confronto. Por volta das 15h, uma equipe do Samu foi acionada para auxiliar um homem ferido na favela, e criminosos armados obrigaram que ele fosse retirado do local.

A retirada dos corpos na manhã desta segunda foi registrada pelo helicópetro da TV Globo. Ao Estadão, a Polícia Militar informou que "dará início a uma ação no local e permanecerá na região a fim de garantir o trabalho de perícia da Polícia Civil".

PM e Ministério Público vão apurar o caso

A Polícia Militar informou que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Complexo do Salgueiro. 

Além do IPM, o Ministério Público do Rio (MPRJ) instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para investigar a operação do Bope. O PIC ficará a cargo da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Niterói e São Gonçalo, e foi solicitado pelo procurador-geral de Justiça do Estado, Luciano Mattos. Um perito do quadro técnico do MPRJ também foi enviado ao Instituto Médico Legal (IML) para acompanhar o exame dos corpos.

De acordo com o Ministério Público, a investigação irá apurar se houve "eventuais violações a direitos praticados quando da execução da operação" - ela foi regularmente informada ao MPRJ. Em nota, o órgão ressaltou que "adotará todas as medidas cabíveis para o regular desempenho de suas atribuições no exercício finalístico da ação penal pública em relação a eventuais ilícitos penais praticados, no efetivo exercício do controle externo da atividade policial".

Para auxiliar as investigações, o MPRJ pede que testemunhas entrem em contato com o plantão permanente criado para receber denúncias, imagens de foto ou vídeo e demais informações em caráter de urgência. O telefone é (21) 2215-7003, que também funciona como Whatsapp Business.

A Defensoria Pública, por sua vez, informou que irá ao Complexo do Salgueiro na tarde desta segunda e irá se pronunciar apenas depois de conversar com moradores e acompanhar o trabalho da perícia.

Observatório contabiliza 38 chacinas no Rio neste ano

Dados da Rede de Observatórios da Segurança apontam que, até o mês de outubro, o Rio de Janeiro registrou 38 chacinas, quatro a mais do que 2020. A Rede informou ainda que 27 delas foram cometidas por policiais, com 128 mortes registradas.

Em maio, 28 pessoas foram mortas - sendo uma delas um policial civil - após ação da polícia na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio. A ação ainda é investigada e teve fortes indícios de execução. Até o momento, dois agentes que participaram da ação se tornaram réus.

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