Maurício Bazílio /Governo do Rio de Janeiro
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Morre menino baleado ao tentar fugir de arrastão na Baixada Fluminense

Renan Macedo, de 8 anos, foi atingido na cabeça; internado, passou por cirurgias, mas não resistiu

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2017 | 18h52
Atualizado 04 de setembro de 2017 | 19h45

RIO - O estudante Renan dos Santos Macedo, de 8 anos, morreu às 17h32 desta segunda-feira, 4, um dia após ser baleado na cabeça. No fim da tarde de domingo, 3, estava com o pai, Nilton Siqueira de Macedo, que tentava fugir de um arrastão promovido por criminosos em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Foi quando foi baleado. Desde então estava internado em estado gravíssimo no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, na mesma cidade, onde morreu. Os criminosos fugiram e não tinham sido identificados até a noite desta segunda.

Renan é filho de pais separados e passava o domingo com o pai. Eles tinham acabado de sair da casa paterna, de carro, quando perceberam que na Avenida Gomes Freire, no Jardim Gramacho, por onde trafegavam, criminosos interceptavam e rendiam motoristas, para assaltá-los.

O pai de Renan decidiu tentar fugir do arrastão e manobrou o carro para tomar a direção oposta. Ao notar a tentativa de fuga, os criminosos dispararam pelo menos cinco vezes na direção do veículo. O pai ordenou que o filho se abaixasse, para tentar se proteger, mas um dos disparos acertou a cabeça da criança.

Os criminosos fugiram. Nilton Macedo não foi ferido. A criança foi levada ao Hospital Adão Pereira Nunes, onde foi submetida a uma cirurgia de emergência. Segundo familiares de Renan, durante a operação ele teve uma parada cardíaca que durou nove minutos, e após a cirurgia sofreu mais oito paradas. A situação foi estabilizada, mas o estado da criança era gravíssimo. Renan foi mantido em coma induzido e teve morte cerebral no início da tarde desta segunda. Horas depois, a Secretaria de Saúde confirmou a morte dele.

“O paciente teve o óbito confirmado às 17h32, após a conclusão do protocolo de morte encefálica”, afirmou a pasta, em nota. “Assim como a direção e toda a equipe médica do hospital, a Secretaria de Estado de Saúde lamenta a perda da família, presta solidariedade neste momento de grande dor e segue à disposição dos pais e familiares”, continua o texto.

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense investiga o caso. Seus agentes tentam reunir imagens de câmeras de segurança das imediações do local em que os disparos ocorreram. Até a noite desta segunda, nenhum suspeito fora identificado.

Mesmo antes da confirmação da morte, o pai de Renan já estava em estado de choque, segundo a família. A mãe dele, Luciene Souza dos Santos, de 37 anos, também passou o dia desolada.

“Quando acontece com a gente é que a gente vê a dor dessas mães que perderam filhos, que estão passando pela mesma situação que eu estou passando. O desespero, porque uma mãe e um pai têm um amor tão infinito pelos filhos que eu falo para você que eu queria estar lá no lugar dele. Eu não queria que meu filho estivesse ali (no hospital). No exato momento que eu entrei naquela sala, se eu pudesse trocar de lugar com ele, eu trocaria”, disse à TV Globo.

“O Renan é um menino feliz, é um menino alegre. O Renan, com 8 anos, já tinha sonhos. Ele já falava os sonhos dele. Então, isso não pode acontecer. Tem que haver justiça. O meu filho saiu pra passear, o meu filho não saiu pra receber uma bala na cabeça. Isso tem que acabar”, desabafou.

 

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