Morre segunda menina que foi intoxicada por gás em banheiro

Gás vaza de banheiro em flat do Rio e provoca a morte das irmãs Keilua e Kawai, de 6 e 12 anos

Pedro Dantas, do Estadão,

23 de agosto de 2007 | 14h37

Morreu nesta quinta-feira, 23, a segunda vítima do vazamento de gás no apart-hotel Barra Beach, na Barra da Tijuca. Keilua Baisotti, que completaria 6 anos em dezembro, estava internada desde sábado quando ela e a irmã Kaway Baisotti, de 12 anos, foram intoxicadas quando tomavam banho. Kaway não resistiu e morreu no mesmo dia. O laudo preliminar do Instituto de Criminalística Carlos Éboli apontou que a morte de Kaway foi por intoxicação. Hoje, a polícia ouvirá o proprietário do apartamento e os sócios da imobiliária que alugava o imóvel.   "Perder duas filhas na mesma semana é demais. Esta história não pode terminar aqui", disse o pai das crianças, o italiano Marco Baisotti. Após a morte de Keilua, ele anunciou que está em contato com advogados italianos e brasileiros para estudar um processo contra os responsáveis.   Keilua estava em coma no Centro de Terapia Intensiva do Hospital da Lagoa, no Jardim Botânico (zona sul), e respirava com a ajuda de aparelhos. De acordo com informações do último boletim médico antes do óbito, ela precisava de medicação para fazer a manutenção das funções cardiovasculares. Na terça-feira, a criança foi submetida a uma tomografia que revelou um edema e lesões cerebrais. No final da tarde de ontem, o corpo da menina seguiu para o IML onde será realizada a necropsia que determinará a causa da morte. O laudo oficial do IML sobre a morte da irmã dela, Kaway, sairá em até 25 dias.   A mãe das crianças, a tradutora Conceição Gonçalves, declarou que além do inquérito criminal vai abrir uma ação cível contra os responsáveis apontados pela polícia. Ela revelou que até agora não foi procurada pela Companhia Estadual de Gás (CEG) nem por representantes do condomínio ou da imobiliária.   "A vida aqui (no Brasil) é assim. Como diz um ditado italiano: dê por descontado. Até falo que em uma cidade onde crianças morrem arrastadas e que o índice de mortes por balas perdidas é alto, a maneira como minhas filhas faleceram foi um privilégio. Ela foi morta por uma arma, mas sem dor", disse Conceição, que estava na Itália quando as filhas morreram no apartamento do namorado dela, o contabilista Antônio José Dutra, considerado suspeito no dia do acidente, mas inocentado pela polícia.   O advogado de Conceição, Márcio Florindo, não descartou processo contra nenhuma das partes investigadas pela polícia. "A CEG tem autonomia para embargar a instalação do aquecedor. Isto é responsabilidade da companhia. Os equipamentos (de ventilação e os aquecedores) precisam ser vistoriados pelo condomínio e pela estatal para que funcionem adequadamente"declarou.   Por meio de nota, a CEG informou que nenhum vazamento foi detectado no banheiro na perícia realizada em conjunto com o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e que cabe aos proprietários dos imóveis a manutenção dos equipamentos internos de gás. O proprietário declarou à polícia que nunca foi informado sobre qualquer vazamento pela imobiliária que administrava o imóvel. A administradora Sol da Barra disse que se pronunciará após o fim do inquérito.   Matéria ampliada às 19h34

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