Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Morre terceiro militar baleado durante operação em complexo de favelas do Rio

Soldado Marcus Vinícius Viana Ribeiro estava internado desde segunda-feira, 20; Forças Armadas realizam terceiro dia de ações nos conjuntos de favelas do Alemão, Maré e Penha

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 13h20
Atualizado 22 Agosto 2018 | 23h28

RIO - O soldado Marcus Vinícius Viana Ribeiro, que na segunda-feira havia sido baleado na perna durante operação das Forças Armadas em complexos de favelas da zona norte do Rio, morreu nesta quarta pela manhã. Ele estava internado no CTI do Hospital Salgado Filho e não resistiu aos ferimentos. Assim, ele foi o terceiro militar morto em virtude da operação, que nesta quarta chegou ao seu terceiro dia.

Segundo o Gabinete de Intervenção Federal (GIF), a ocupação no Alemão, na Maré e na Penha permanecerá por tempo indeterminado. Além de soldados das Forças Armadas, a operação conta com a participação de policiais civis e militares.

O Comando Militar do Leste (CML) afirma que a intervenção na segurança pública no Rio não mudou, apesar das incursões e confrontos que resultaram nas mortes dos três militares. Antes da operação nos três conjuntos de favelas, as tropas das Forças Armadas atuavam apenas no cerco às favelas. Mas, segundo o coronel Carlos Frederico Cinelli, chefe de comunicação do comando, a ação para estabilizar as regiões pressupõe incursões das tropas.

“Não houve mudança. O resultado foi decorrente das características do ambiente operacional e da natureza da ação dos criminosos”, disse o oficial ao Estado. Um informe do CML esclarece que a “estabilização dinâmica”, como é oficialmente chamado o cerco, pode, “eventualmente” significar também incursões de militares, “a fim de assegurar a eficácia”.

Após as mortes registradas na segunda-feira - além dos três militares, cinco suspeitos também morreram -, a operação registrou menos confrontos nos dois últimos dias. A ação nos morros resultou na apreensão de 624kg de maconha, 17kg de haxixe e sete de cocaína, além de grande quantidade pronta para consumo. Cinco fuzis, 10 pistolas, uma espingarda calibre 12, duas granadas e farta munição também foram encontrados. Ao todo, 70 pessoas foram presas nos três dias de operação.

São Carlos e Rocinha

Também no Rio, uma operação da Polícia Civil prendeu 13 pessoas no complexo de favelas do São Carlos, na região central, e na favela da Rocinha, na zona sul da capital fluminense, além dos municípios de Itaboraí, Angra dos Reis, Macaé e na Baixada Fluminense. A operação, batizada de Fractionis, foi um desdobramento da guerra entre facções que aconteceu na Rocinha em setembro do ano passado.

Entre os presos estão cinco mulheres, que segundo a polícia tinham funções relevantes na “alta hierarquia” de uma das facções, tanto na parte financeira quanto no transporte de drogas, armas e abastecimento dos pontos de vendas.

A operação contou com a participação de 250 policiais civis de diversas delegacias. Ao todo, foram expedidos 30 mandados de prisão preventiva pela Justiça. Os indiciados responderão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e porte ilegal de armas, dentre outros.

Guerra de facções em Angra dos Reis

Uma guerra entre facções em Angra dos Reis, na Região da Costa Verde, levou a prefeitura a decretar estado de emergência na Segurança Pública. Duas escolas municipais localizadas no bairro do Belém, principal local de confronto, estão fechadas desde a segunda-feira, assim como um posto de saúde da região. A circulação de ônibus municipais também está sendo afetada.

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