Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Morte de militar e PM antecedeu ação na Vila Kennedy 

Comando Vermelho domina favela de 41 mil habitantes; militares afirmam que trabalho social será levado à comunidade em breve

Roberta Pennafort e Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

10 Março 2018 | 01h00

Dois assassinatos na zona oeste do Rio – do subcomandante da UPP Vila Kennedy, tenente Guilherme da Cruz, em Jacarepaguá, e do sargento do Exército Bruno Cazuca, em Campo Grande, vítimas de assaltantes – precederam as operações na Vila Kennedy. As Forças Armadas, porém, não confirmam se há relação entre os crimes e as sucessivas ações na favela. 

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Os militares garantem que em breve, para além das operações, serão levadas “ações sociais do Exército” à favela. A comunidade tem 41 mil habitantes. Tradicionalmente, é dominada por traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho, que disputa o comando da venda de drogas no País com o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo paulista. 

“No primeiro dia (da vinda das tropas), veio um sentimento bom da época do início da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Agora acho que não vai mudar nada. É ruim a sensação de ver blindado na porta de casa”, diz o morador Manuel (nome fictício), estudante de 29 anos. 

“Não há explicação técnica para a escolha da Vila Kennedy, a não ser que as Forças Armadas tenham informações de inteligência que não sabemos. Ficar entrando e saindo é muito custoso e é medir forças com o tráfico”, avalia o antropólogo e coronel da reserva Robson Rodrigues, que já foi coordenador-geral das UPPs. 

Mas Rodrigues considera “positivo” o fato de as tropas fazerem operações sem confrontos, porque protegem a si próprios e a população. “Mas nenhuma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem, decretada em maio) teve resultado significativo. O Exército não queria isso, ser usado de forma banalizada”, diz o coronel da reserva. 

Oficialmente, os militares afirmam que as ações têm como objetivos “cerco, estabilização dinâmica da área e reforço no patrulhamento ostensivo”. As ações costumam ser divulgadas à imprensa apenas no dia em que ocorrem e quando as tropas já estão no local. 

Origem

A favela inicialmente se chamaria Vila Progresso. Originou-se de um conjunto habitacional erguido com verba da Aliança para o Progresso, programa do governo dos Estados Unidos para se aproximar de países latino-americanos. A ideia era levar projetos sociais e afastar o espectro da revolução socialista. A área escolhida era uma área rural de Bangu.

Dois meses antes da inauguração, em 1963, o então presidente americano, John Kennedy, foi morto . A comunidade foi rebatizada. O governo removeu para lá moradores de antigas favelas da zona sul e da zona norte.

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