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Mortes em confrontos com a PM crescem 25% no Rio em 2007

Em 2006, as mortes por resistência totalizaram 1.063, já no ano passado foram 1.330, ou seja, 267 a mais

Marcelo Auler, de O Estado de S.Paulo,

19 de março de 2008 | 21h20

A política de confronto desenvolvida em 2007 pela Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, na gestão do secretário José Mariano Beltrame, resultou em um aumento de 25,1% dos mortos em supostos confrontos com policiais, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira, 19. Ela, porém, não teve correspondência nas apreensões de armas e drogas, cujos índices mostram quedas de 16,9% e 5,7%, respectivamente. Em 2006, as chamadas mortes por resistência totalizaram 1.063. No ano passado foram 1.330, isto é, 267 a mais.   Outro número que chama atenção no balanço é o aumento de policiais mortos em dias de folga. Em 2006 foram 93, no ano passado subiu para 119, um crescimento de 26%. Uma das possibilidades admitidas por Beltrame é que as vítimas sejam policiais que se envolveram com as milícias. Mas, segundo ele, "só com uma maior investigação poderemos confirmar esta possibilidade". Já o crescimento dos policiais assassinados em serviço limitou-se a 10,3% - de 29, em 2006, passou para 32 no ano passado.   Também foi negativo o índice dos chamados roubos de rua, que incluem assaltos a transeuntes e em coletivos e os roubos de celulares. Pularam de 62.784 no ano anterior para 75.433 em 2007. "É um dado preocupante por ser um crime violento, que usa de força ou de um instrumento que atenta contra integridade física ou a vida das pessoas", falou Beltrame.   Para ele, entretanto, o crescimento deste tipo de criminalidade resulta exatamente do maior combate ao chamado crime organizado. "Ao se mexer no ápice da pirâmide, estas pessoas vêm para o centro da cidade fazer pequenos crimes - pequenos porque são crimes que não afrontam o coletivo, mas afrontam em muito quem sofre a ação", afirmou.   O número positivo foi a redução dos homicídios dolosos, em 3%. Foram 6.323 em 2006 e no ano passado ficaram em 6.133. "Isto para nós é importante, foram 190 vidas preservadas. Acho que é um crime maior porque tira a vida e nós preservamos 190 vidas", falou o secretário.   A queda na apreensão de armas - 13.312 em 2006 e 11.062 em 2007 - para o secretário é um dado que se repetirá. "Vai se prender menos armas porque não adianta prendermos arma de caça, garrucha de 1919, um revólver calibre 22 argentino. Aos poucos estas armas não têm mais este mercado. A polícia do Rio apreende 15 mil armas por ano e não há mercado que reponha isto". Ele, porém, chamou a atenção para o crescimento das apreensões de granadas: de 1.041 em 2006 para 1.297 em 2007. Não comentou, entretanto, a queda na apreensão das drogas - 10.793 quilos contra 10.178, no ano passado.   Caos na segurança   O secretário lembrou que ao tomar posse com o governo Sérgio Cabral encontrou a cidade conflagrada, com diversos ataques comandados por lideranças do tráfico que estavam presas em Bangu 1 - 12 delas foram transferidas para Catanduvas (PR). "Entendemos que a ação tinha que ser pontual sobre estes núcleos criminosos que comandavam estas ações - pessoas queimadas vivas em um ônibus na Avenida Brasil, um cidadão alvejado pelas costas prestando ocorrência na 6ª DP. Não são ações de vingança, são ações nas quais se localizou aonde este núcleo estava e se foi buscar o resultado", disse.   Na explicação do aumento de mortos em confrontos ele frisou que estas 267 vítimas "em tese, são pessoas engajadas no confronto. Não são pessoas que foram mortas na rua, que passaram em levaram um tiro". Garantiu que não mudará a chamada política do confronto, mas reiterou que só o trabalho da área de segurança não dará resultado. Ele está confiante nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em comunidades como o Complexo do Alemão, a favela da Rocinha e em Manguinhos.   Considerou o grande desafio da área de segurança a questão dos roubos de rua, pois trata-se de algo que só se combate com policiamento ostensivo. Beltrame não revelou o número de policiais na ativa, nem tampouco o número de novos policiais contratados na sua gestão, mas disse que estas novas contratações praticamente já foram anuladas com as mortes, aposentadorias, licenças de saúde ou mesmo o pessoal que pediu transferência para áreas administrativa. O déficit de policiais nas ruas do Rio, segundo ele, é de 10 mil homens.

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