Mortos na Região Serrana do Rio chegam a 765; governo anuncia medidas

Até 2013, serão adquiridos 15 radares, 700 pluviômetros e milhares de sirenes para alertar sobre chuvas seis horas antes

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo, com Efe

21 de janeiro de 2011 | 00h39

RIO - A Polícia Civil do Rio divulgou no fim da manhã desta sexta-feira, 21, que 765 corpos já foram resgatados na região serrana do Estado, vítimas das fortes chuvas que caíram sobre a região na semana passada. Para evitar catástrofes como essa, os governos federal e estadual anunciaram quais serão as medidas preventivas que serão tomadas.

  

De acordo com o último informe, 367 pessoas morreram em Nova Friburgo, 309 em Teresópolis, 63 em Itaipava (distrito de Petrópolis), 21 em Sumidouro, quatro em São José do Vale do Rio Preto e um óbito foi registrado em Bom Jardim.

 

O número pode subir consideravelmente já que, segundo o Ministério Público, cerca de 400 pessoas estariam desaparecidas na região afetada. Equipes de resgate trabalham pelo nono dia para chegar a áreas isoladas, tomada pelo barro e escombros resultantes dos deslizamentos de terra.

  

O mesmo boletim indicou que pelo menos 6.050 pessoas perderam suas casas e outras 7.780 tiveram que abandonar suas moradias temporariamente e se abrigar em ginásios e escolas públicas.

 

Mudanças. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante disse que o sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais anunciado nesta semana pela presidente Dilma Rousseff começará a ser criado neste ano e estará em pleno funcionamento em 2013.

 

Mercadante disse que o sistema, para o qual serão adquiridos 15 radares, 700 pluviômetros e milhares de sirenes, permitirá que as autoridades emitam alertas com uma antecedência de até seis horas sobre tempestades, tornados e outros fenômenos que possam ameaçar diferentes regiões, principalmente áreas de irrigação.

 

O ministro acrescentou que, enquanto o sistema não entra em operação, os órgãos de Defesa Civil municipal têm que montar planos de emergência para alertar a população sobre situações como inundações, deslizamentos e secas.

 

"As defesas civis dos municípios têm de discutir um plano de contingência e buscar orientar a população em situações de crise com os recursos que têm. Os dados meteorológicos estão disponíveis na internet", disse.

 

Comissão legislativa. O assunto também foi analisado pela comissão permanente especial do Congresso, que reúne oito senadores e 17 deputados e que foi convocada durante o recesso legislativo para discutir as medidas já adotadas pelo governo para enfrentar a tragédia.

 

Os parlamentares aprovaram a recomendação para que seja criada uma comissão legislativa permanente para discutir medidas de prevenção a catástrofes climáticas.

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, disse que a expectativa é que a comissão seja instalada em fevereiro, quando começa a nova legislatura. "Queremos tratar com prioridade o tema das catástrofes, com medidas que possam evitar futuros episódios", disse Maia.

 

A nova comissão poderá discutir e aprovar leis que possibilitem sancionar prefeitos e governadores que permitam a construção de casas em áreas de risco, como encostas de morros e margens dos rios.

 

Estado. Já o Governo do Rio de Janeiro anunciou a criação de uma rede de vigilância de áreas de risco que poderá estar operando em um ano e que contará com dois modernos radares meteorológicos para medir a aproximação de tempestades e sensores para a medição dos níveis dos rios.

 

Segundo o secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, estes radares permitirão emitir alertas sobre a chegada de chuvas com até 12 horas de antecedência.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.