Motoboy é preso suspeito de matar professora em Botafogo

Magno de Oliveira Paiva havia se apresentado como vítima à polícia, que desconfiou do depoimento e o prendeu

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

04 de dezembro de 2007 | 09h04

O homem que se apresentou como a primeira vítima do arrastão que resultou no assassinato da professora de catecismo Vitória Lúcia Marques acabou preso. O motoboy Magno de Oliveira Paiva, de 28 anos, confessou que inventou o roubo do Tempra em Copacabana usado pelos marginais na abordagem ao Santana Quantum, dirigido pelo padre Frank Franciscatto, de 41 anos. O religioso se assustou com o assalto, acelerou o veículo, que foi metralhado pelos bandidos.   Os tiros atingiram o padre e a professora, que morreu no hospital. Atingido no tanque, o veículo ficou em chamas na Rua da Passagem, na zona sul do Rio. Uma testemunha reconheceu o motoboy como um dos homens que saltaram do carro e fecharam a rua.   "A comunicação do roubo feita na 12.ª Delegacia de Polícia de Copacabana descrevia um horário incompatível com a hora do crime em Botafogo. Chamamos ele para ser interrogado e o motoboy admitiu a falsa comunicação de crime. Sabemos agora que a ação não foi premeditada. Os bandidos estavam indo da favela da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, para a favela Santa Marta, em Botafogo, com armas pesadas e o pneu furou. Eles tentaram pegar outro carro e ocorreu a tragédia", afirmou o delegado-titular da 10.ª DP de Botafogo, Eduardo Baptista. Ele disse que o bando estaria quase todo identificado.   Ao contrário de segunda-feira, 3, quando os criminosos eram estimados em quatro homens, a polícia já admite que até seis bandidos participaram da ação. As imagens das câmeras de segurança de prédios próximos ao local do crime mostram um Celta branco apontado por policiais como o segundo carro usado pelo bando. A polícia investiga se os marginais iriam se refugiar no Santa Marta por causa de uma operação policial na Ladeira dos Tabajaras ou se uniriam a outros criminosos para retomar a Cruzada de São Sebastião, no Leblon, ocupada recentemente por uma quadrilha rival.   Investigadores acreditam que Francisco Rafael Dias Silva, o Mexicano, líder do tráfico na Ladeira dos Tabajaras, estaria no carro.   O motoboy, que passou a segunda-feira inteira depondo na 10.ª DP, teve a prisão temporária decretada por 30 dias. Além da falsa comunicação de crime, ele poderá ser indiciado por latrocínio (roubo seguido de morte), dois roubos e formação de quadrilha.   Paiva nega as acusações e alega que apenas emprestou o carro para um amigo da favela. "Meu amigo é trabalhador. Não sei o que aconteceu. Fui avisado por telefone que meu carro desceu o morro `cheio' (de armas e bandidos) e fui à delegacia. Eu não estava na hora do crime e não aparecerei nas imagens dos prédios", afirmou o motoboy. Morador há 9 anos da Ladeira dos Tabajaras e sem antecedentes, ele disse que a morte de Vitória foi "triste e lamentável".   Matéria ampliada às 18h23

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