MPE e PM fazem operação contra agiotagem no Rio

Objetivo é cumprir 41 mandados de prisão; grupo concedia empréstimos sob juros de 30% ao mês e ameaçava 'clientes'

Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2014 | 09h50

RIO - O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MPE-RJ) e a Polícia Militar fluminense deflagraram na manhã desta quarta-feira, 12, a operação Lucro Fácil, para prender envolvidos em um suposto esquema de agiotagem. O objetivo da ação é prender 41 suspeitos, entre eles dois policiais civis e um PM, acusados dos crimes de formação de quadrilha armada, usura pecuniária, extorsão e corrupção ativa. Também são cumpridos 72 mandados de busca e apreensão, além do sequestro, bloqueio e indisponibilidade de bens e dinheiro dos denunciados.

Segundo a denúncia, o grupo agia a partir de dezenas de escritórios nos municípios de Macaé, Rio de Janeiro, Niterói, Duque de Caxias, Queimados, Barra Mansa, Nova Iguaçu, Parati, Itaguaí, Campos, entre outros. Neles, a quadrilha concedia empréstimos, sob juros superiores a 30% ao mês, bem acima do que é exigido pelos bancos.

Quem não pagasse a dívida ou atrasasse o pagamento sofria extorsões ou roubos comandados por capangas do bando. Nas "cobranças", os criminosos ameaçavam e agrediam os devedores e seus parentes.

Para prolongar a dívida, a quadrilha inibia o pagamento do seu valor integral. O devedores eram induzidos a pagar somente os juros e rolar o valor das parcelas. Isso aumentava o saldo devedor, que era corrigido pelos juros bem acima do mercado formal que os agiotas cobravam. Assim, o "cliente" ficava cada vez mais preso ao bando.

O MPE apurou que os empréstimos eram concedidos apenas contra a apresentação de cópias de documentos pessoais, holerite, endereços residencial e profissional e números de telefone. Os agiotas também exigiam das vítimas contatos de pessoas próximas, como parentes e vizinhos, e que assinassem notas promissórias. Não havia exigência de comprovação de renda, nem de patrimônio.

Cada negócio, segundo os promotores, era registrado pelos agiotas em um escritório central chamado "Controle". Cada escritório recebia um codinome para identificação, como "Marte, "Mercúrio", "Saturno", "Júpiter", "Terra", "Plutão", "Sardinha", "Tainha" e "Garoupa", entre outros.

A operação Lucro Fácil reúne integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPE, além da Coordenadoria de Inteligência da PMERJ (CI/PMERJ).

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