Bar Bip Bip/Facebook
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MPF vai investigar conduta de policial em bar de Copacabana

Agente discutiu com clientes que, junto com o dono do estabelecimento, faziam homenagem a Marielle Franco e depois os ameaçou

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 21h53

RIO - O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira, 9, ter instaurado procedimento investigatório criminal para apurar a conduta do policial rodoviário federal Haroldo Ramos, de 57 anos, no Bar Bip Bip, em Copacabana, na zona sul do Rio, em 18 de março. Na ocasião, Ramos discutiu com clientes que, junto com o dono, Alfredo Jacinto Melo, de 74 anos, prestavam uma homenagem à vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL), assassinada na noite de 14 de março. Ramos acabou conduzindo o dono do bar, conhecido como Alfredinho, a uma delegacia e registrando uma suposta agressão sofrida na frente do bar. Alfredinho prestou depoimento como testemunha, e o autor ainda não foi identificado.

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O MPF quer saber se foi cometido algum dos seguintes sete crimes: abuso de autoridade; violência e perturbação da ordem; constrangimento mediante violência ou grave ameaça; injúria; prática de violência no pretexto do exercício da função; usurpação do exercício da função pública; ou desacato de autoridade.

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Para tanto, o procurador da República Eduardo Benones convocou para prestarem esclarecimentos o policial Ramos, Alfredinho e outra testemunha, o PM que registrou o caso e o delegado-adjunto do 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), onde foi registrada a ocorrência.

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"A medida provém da necessidade de prosseguir as diligências, visando a colheita de informações, depoimentos, documentos e outros elementos aptos a direcionar e definir a linha de atuação deste órgão ministerial no feito", afirmou o procurador Benones, titular do 52º Ofício Exclusivo do Controle Externo da Atividade Policial.

O caso

Na noite de 18 de março, enquanto clientes e o dono do bar homenageavam Marielle, o policial rodoviário federal reclamou que ninguém se lembra de homenagear os policiais mortos e teve início uma discussão. Ele foi embora, voltou armado e, segundo Alfredinho, chegou a ameaçar dar tiros dentro do bar. Policiais militares chegaram ao local, e Alfredinho acabou conduzido à delegacia para depor como testemunha.

Na tarde desta segunda-feira, a reportagem não localizou representantes de Ramos para que se manifestem sobre a investigação iniciada pelo MPF.

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