BETINHO CASAS NOVAS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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MPRJ cria força-tarefa para apurar operação que deixou 28 mortos no Jacarezinho

A proposta é que o grupo de promotores conclua a investigação em até quatro meses

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 13h22
Atualizado 11 de maio de 2021 | 14h08

RIO - O Ministério Público do Rio (MPRJ) anunciou nesta terça-feira, 11, a criação de uma força-tarefa para apurar a operação na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, que terminou com 28 mortos - incluindo um policial civil - na quinta-feira passada. A intenção é que o grupo, composto por quatro promotores, conclua seus trabalhos em até quatro meses.

A força-tarefa será coordenada por André Luís Cardoso, que foi designado como promotor natural do caso. "Instauramos um PIC (procedimento investigatório criminal), ao mesmo tempo em que vamos acompanhar os inquéritos (da Polícia Civil)", disse Cardoso nessa terça-feira.

O PIC do Jacarezinho é o 44º procedimento do gênero que o MPRJ instaura desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu operações em favelas devido à pandemia.

Durante entrevista coletiva concedida na sede do MPRJ, tanto o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio, Luciano Mattos, quanto Cardoso foram cautelosos. O promotor foi evasivo sempre que indagado sobre eventuais acusações a que os policiais que participaram da operação poderão responder. Também não se pronunciou sobre os resultados das necropsias, que foram acompanhadas inclusive por um legista do MPRJ.

"As 27 mortes em decorrência de intervenção policial, a morte do policial, as tentativas de homicídio contra os policiais, as tentativas de homicídio contra os dois passageiros do metrô, e a possível ocorrência de fraude processual por remoção de corpos dos locais serão investigadas", afirmou Cardoso. "Se houve execução sumária ou não, isso vai ser apurado no curso da investigação."

Sobre a operação da semana passada, Luciano Mattos confirmou que o MPRJ fora avisado pela Polícia Civil de que ela aconteceria, como determina o STF. "Foi feita uma investigação, levada ao promotor do caso, que ofereceu denúncia e fez pedidos de prisão. O juiz apreciou. Essa acusação (de aliciamente de menores pelo tráfico) procede e corre na 19ª vara criminal", disse Mattos. "A polícia tem de comunicar o MP sobre a operação, mas apenas comunicar. O MP tem que avaliar a posteriori, não previamente."

 

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