Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Mulher dá à luz em prédio de Eike antes da ação da PM

Mãe e bebê passam bem; internado na UTI neonatal, o recém-nascido pesa 1,5 quilo e mede 40 centímetros

FELIPE WERNECK e CARINA BACELAR, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2015 | 21h28

RIO - Na noite anterior à reintegração de posse, pouco antes das 22 horas, gritos anunciaram o parto prematuro do quinto filho da faxineira Fernanda Aldeir da Silva Pessoa e do pedreiro Carlos Alessandro de Souza, ambos de 35 anos e desempregados.

O parto aconteceu em um banheiro do prédio. A PM levou Fernanda e o bebê, nascido no sétimo mês de gestação, para a Unidade de Pronto Atendimento de Botafogo e, depois, para o Hospital Miguel Couto. O pai ficou no prédio com o filho Carlos Júnior, de 1 anos e 2 meses.


De manhã, durante a reintegração, um policial lançou jatos de spray de pimenta no rosto de Souza e da criança. O PM foi preso pelo oficial chefe, e o pedreiro registrou a agressão na 10.ª DP. O bebê tinha corte superficial no queixo. “Meu filho está no hospital entre a vida e a morte enquanto jogam spray de pimenta na cara de pais de família e crianças”, disse.

O casal se conhece desde a infância em Duque de Caxias, cidade na Baixada Fluminense. Os dois já tinham sido removidos em abril de 2014 de um terreno na zona norte. Desde então, recebem bolsa de R$ 400 para o aluguel, mas Souza diz que a liberação está atrasada. Por isso, decidiu apoiar os sem-teto do Ocupa Cedae, removidos em março da zona portuária. Há uma semana, seguiu para o prédio no Flamengo. “A gente morava no Jacarezinho (favela), mas o aluguel, que custava R$ 300, dobrou”, contou Souza.

Mãe e bebê passam bem. Internado na UTI, o bebê pesa 1,5 quilo e mede 40 centímetros.

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