Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Mulher de Nem, Xerifa da Rocinha é presa na Ilha do Governador

Danúbia Rangel estava foragida e foi encontrada no Morro do Dendê; por ordem de Rogério 157, ela teve de deixar favela da zona sul

Fábio Grellet, Roberta Pennafort e Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 18h22
Atualizado 10 Outubro 2017 | 20h50

RIO - Condenada a 28 anos de prisão por envolvimento com o tráfico de drogas e foragida desde março de 2016, Danúbia de Souza Rangel, a Xerifa da Rocinha, de 33 anos, foi presa por volta das 16 horas desta terça-feira, 10, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro. Danúbia, que é mulher do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, ex-líder do tráfico na favela da Rocinha, havia saído da casa de uma amiga e estava sozinha, dirigindo um carro cujo destino a polícia informou desconhecer.

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A prisão foi efetuada por policiais civis de duas delegacias, a 52ª (Nova Iguaçu) e a 39ª (Pavuna), que há cerca de um mês trabalhavam juntas tentando monitorar o paradeiro de Danúbia. Há duas semanas os policiais a localizaram na Vila dos Pinheiros, uma das favelas do Complexo da Maré, na zona norte, mas ela conseguiu fugir.

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Em entrevista coletiva concedida na Cidade da Polícia, também na zona norte, na noite desta terça-feira, os delegados responsáveis pelas duas delegacias envolvidas na prisão de Danúbia não quiseram informar de quem era o carro que ela dirigia nem quem era a amiga que a estava hospedando, em um imóvel a uma quadra da Favela do Dendê.

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"O que podemos dizer é que a prisão interrompe uma importante fonte de distribuição de informações de uma facção do tráfico no Rio", afirmou Marco Aurélio Ribeiro, delegado da 52ª DP.

Segundo ele, havia o temor de que Danúbia tentasse fugir rumo à comunidade vizinha. Ao ser presa, ela se espantou e começou a chorar, segundo os policiais.

Nem, que está preso numa penitenciária federal em Rondônia, integra a Amigo dos Amigos (ADA), facção à qual o delegado se referiu. Desde que Nem foi preso, em 2011, era Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, quem comandava o tráfico na Rocinha. Desavenças entre Rogério 157 e Nem levaram aos confrontos que começaram em 17 de setembro e se repetem até agora na Rocinha. Perseguido por Nem, Rogério 157 teria se transferido para o Comando Vermelho (CV).

Abordada pela imprensa enquanto circulava sob escolta policial dentro da Cidade da Polícia, Danúbia disse apenas uma frase: "Estou com medo". Perguntada se cumpria ordens do marido relativas ao tráfico, negou, chorando.

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