Mulher encontra policial que tentou salvar seu filho em tiroteio

Durante combate na Favela da Coréia, agente resgatou garoto atingido, que não resistiu e morreu no hospital

Clarissa Thomé, do Estadão,

22 Outubro 2007 | 18h17

A manicure Helen Silva de Lacerda, de 20 anos, encontrou-se na manhã desta segunda-feira, 22, com o policial civil que tentou salvar seu filho, de 4 anos, atingido no coração durante a operação na Favela da Coréia, em Senador Camará. Emocionada, ela agradeceu o esforço do policial com um forte abraço.   Na quarta-feira, Helen estava em casa com Jorge Kauã Silva de Lacerda, de 4 anos, e o caçula de 9 meses. Policiais da Polinter e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) desconfiaram da movimentação numa casa em frente à da manicure. Ao tentar entrar na residência, o policial Sérgio da Silva Coelho, de 43 anos, foi baleado e morto, dando início a um confronto que durou cerca de três horas.   Durante o tiroteio, outros dois policiais e Kauã foram atingidos. O policial Marcelo dos Santos viu o momento em que Helen tentava socorrer o filho, mas foi impedida pelos tiros dos traficantes. Santos entrou na casa e saiu com o menino nos braços. Ele chegou a ser baleado de raspão. Kauã morreu no hospital.   O encontro ocorreu a pedido de Helen. A Assessoria de Imprensa informou nesta segunda que Helen já recebeu uma nova casa da secretaria, num condomínio afastado da Favela da Coréia. O local em que ela vivia foi destruído por explosões de granada.   Críticas   O secretário José Mariano Beltrame reagiu às críticas de entidades como Justiça Global e Ordem dos Advogados do Brasil à operação na favela. "As pessoas usam um discurso míope, descolado da realidade. A mesma inteligência que produziu conhecimento que levou à prisão do Joca (traficante da Rocinha preso no Ceará)nos leva a buscar armas e drogas na Grota (Complexo do Alemão) ou na Coréia (zona oeste). O que mudam são as circunstâncias. Uma coisa é uma prisão no Aeroporto ou na Avenida Vieira Souto. Outra é ir à Grota e à Coréia", afirmou.   Beltrame disse que a contagem da secretaria continua em 12 mortos - 10 traficantes, um policial e uma criança. O corpo removido domingo na Estrada do Taquaral e os dois corpos deixados no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, no dia seguinte ao confronto, não serão contabilizados. "Se o tribunal do tráfico resolve deixar corpos na porta do Instituto Médico Legal não se pode botar na conta da polícia", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.