TASSO MARCELO/ESTADÃO
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Mulher morre após ter atendimento negado em hospital do Rio

Filho insistiu para que mãe fosse atendida diante de dificuldades na respiração, mas não teve sucesso. A polícia, a Secretaria de Saúde e o Cremerj investigam o caso

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2018 | 21h29

RIO - Uma mulher de 54 anos morreu horas após ter o atendimento negado na emergência do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha (zona norte do Rio), no último sábado, 28. Desesperado diante da demora no atendimento, um filho da paciente entrou em salas do hospital e filmou uma médica que não estava atendendo ninguém e alegou que aguardava prontuários médicos para voltar ao trabalho. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e, administrativamente, pela Secretaria Estadual de Saúde e pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj).

Irene de Jesus Bento é da cidade mineira de Miraí e há dois anos se mudou para o Rio para ficar próximo dos filhos. Na noite de sexta-feira, 27, ela começou a apresentar dificuldades para respirar, e um dos filhos, Rangel Marques, de 35 anos, a levou ao Hospital Getúlio Vargas, segundo ele narrou em entrevista à TV Globo. Diante da demora no atendimento, foram embora e retornaram no dia seguinte, por volta das 14h.

Irene já estava bastante debilitada e foi colocada em uma cadeira de rodas, onde teve dificuldades para se manter - ela não conseguia controlar o corpo, que precisava ser segurado para não tombar.

Apesar disso, o atendimento demorou, e Rangel passou a caminhar pelo hospital à procura de médicos. Em uma das salas encontrou duas supostas médicas, uma prestando atendimento a um paciente e a outra digitando no telefone celular. Ao pedir ajuda a essa profissional, ouviu que ela estava aguardando prontuários médicos e que ele deveria aguardar ser chamado.

Segundo Rangel, após cerca de uma hora uma enfermeira mediu a pressão de sua mãe, constatou que estava normal e recomendou que o filho levasse a paciente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), porque o caso dela não era grave o suficiente para ser atendido na emergência daquele hospital. O rapaz então levou a mãe até a UPA da Penha, num prédio vizinho ao hospital onde chegou às 15h.

Segundo Rangel, a mãe dele foi encaminhada para a sala amarela (que indica situação de urgência e atendimento em até uma hora), mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi logo transferida para a vermelha (que indica situação de emergência e atendimento imediato). Às 19h15 ela sofreu a segunda parada cardiorrespiratória.

“Os médicos não conseguiram entubar minha mãe, porque ela estava com um caroço na garganta”, contou Rangel. “Lá pelas 23h  me chamaram e contaram que precisariam transferi-la para o Getúlio Vargas, mas não garantiam que ela sobrevivesse e por isso queriam minha autorização para a transferência. Eu falei ‘claro, ué, vou deixar ela morrer aqui?’ Aí a colocaram na ambulância e levaram. Eu fui correndo e vi quando ela chegou, já com os olhos fechados. Para mim, já estava morta”, lamentou.

Oficialmente, a confirmação da morte ocorreu por volta da meia-noite de sábado. “Eu me sinto culpado, acho que deveria ter feito mais por ela. Minha mãe morreu nos meus braços”, lamentou Rangel, chorando, durante entrevista à TV Globo. 

Irene, casada havia 26 anos com o padrasto de Rangel, foi enterrada nesta segunda-feira, 30, em Miraí. “Ninguém do hospital ligou pra perguntar se precisamos de alguma coisa. Minha mãe deixou um filho de 11 anos, e meu padrasto também está muito abalado”, contou Rangel, que levou o caso à Polícia Civil.

Investigação

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelo Hospital Getúlio Vargas, informou que  o caso será investigado. À TV Globo, a direção do hospital informou que os responsáveis foram afastados temporariamente, para que ocorra a investigação. O Cremerj também investiga o caso e pode punir os médicos. Até a noite desta quarta-feira não havia sido divulgado o nome de nenhum profissional envolvido nesse atendimento.

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