Reprodução/ Facebook
Reprodução/ Facebook

Mulher morre após ter o carro metralhado em comunidade de Niterói

Casal de idosos entrou por engano na comunidade do Caramujo; ao tentar sair do local, Regina Murmura foi atingida nas costas

Juliana Dal Piva e Sergio Torres, O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2015 | 12h31

Atualizado às 21h52

RIO - A empresária Regina Stringari Múrmura, de 69 anos, foi morta na noite deste sábado, 3, quando o carro em que estava foi atingido por ao menos 20 tiros no complexo de favelas do Caramujo, em Niterói, na região metropolitana do Rio. Regina e o marido, José Francisco Antônio Múrmura, de 70 anos, estavam a caminho da Praia de Charitas, na zona sul niteroiense, quando houve o ataque de bandidos.

Caramujo e Charitas estão a cerca de 10 quilômetros de distância. A rota seguida pelo casal estava completamente equivocada. Segundo as investigações, o aplicativo de GPS que eles usavam indicou como destino final a Rua Quintino Bocaiuva, que fica dentro da Favela do Caramujo, na zona norte de Niterói, limite com o município de São Gonçalo. O correto seria apontar a Avenida Quintino Bocaiuva, na Praia de Charitas.

O crime aconteceu por volta das 21 horas. O casal saíra de casa, no Leme, zona sul do Rio, cerca de 90 minutos antes, para ir a um restaurante em Charitas. Segundo o coronel Fernando Salema, comandante do 12.º Batalhão de Polícia Militar, em Niterói, Múrmura, que dirigia o Citroën C4 Lounge, só percebeu que havia algo errado quando viu de 15 a 20 homens armados se aproximando.

De acordo com o coronel, o motorista acelerou para fugir, mas os bandidos dispararam e o veículo entrou em uma rua sem saída. “O casal voltou nessa mesma via, saiu do carro e foi abordado. Os elementos viram que eram idosos e fizeram os dois entrar no carro. Quando o senhor saía com o veículo, os criminosos fizeram novos disparos e a esposa foi atingida”, disse Salema, cujo lema à frente do batalhão da PM em Niterói é “chora vagabundo”, alusão à linha de repressão à criminalidade que adotou ao assumir a função, no primeiro semestre.

Assim que Múrmura conseguiu deixar a comunidade, policiais militares em uma patrulha notaram as perfurações na lataria e pararam para socorrer a mulher. Ela foi levada para o Hospital Estadual Azevedo Lima, a 3 km de distância. A direção do hospital informou que a vítima, baleada nas costas e na barriga, já chegara com parada cardiorrespiratória. Aos policiais, o empresário contou que recebeu uma coronhada na cabeça e disse que considerava uma espécie de milagre o fato de não ter sido baleado.

Segundo o coronel, o Caramujo era um bairro tranquilo, mas se tornou violento após a troca de comando da quadrilha que atua na região. Alcindo Luiz Fernandes, de 45 anos, o Da Cabrita, assumiu a chefia do tráfico de drogas ao fugir, em 2010, do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, ocupado pela PM para a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Da Cabrita é um dos líderes da facção Comando Vermelho.

Múrmura e a mulher eram sócios de uma agência de viagens no Rio. Estavam juntos havia 56 anos, dos quais 48 casados. Regina deixa uma filha e netos.

Casos semelhantes. Em agosto, a atriz Fabiana Karla teve o carro atingido por tiros ao entrar por engano na Favela da Lagoinha, do Complexo do Caramujo. Em 13 de março, os atores Tadeu Aguiar e Sérgio Menezes seguiam de carro para Nova Iguaçu e acabaram no Morro do Chapadão, em Costa Barros, na zona norte. Capturados por traficantes, os artistas tiveram o carro e pertences roubados. Nos dois casos, os motoristas culparam o GPS pelo caminho.

Mais conteúdo sobre:
violência Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.