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Mulher morre por bala perdida na Maré; PMs do Alemão depõem

A dona de casa Cláudia Rocha estava dentro de casa, na Vila do João, quando foi atingida na cabeça por um tiro de fuzil

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2015 | 23h24

RIO - Uma mulher morreu atingida por uma bala perdida na noite desta terça-feira, 14, no complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio. A dona de casa Cláudia Rocha, de idade não informada, estava dentro de casa, na Vila do João, quando foi atingida na cabeça por um tiro de fuzil. 

No momento estava ocorrendo um confronto entre traficantes e militares da Força de Pacificação que ocupa o conjunto de comunidades desde abril do ano passado. A polícia ainda não sabe de onde partiu o tiro que atingiu Cláudia. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio.

Desde 1º de abril a Força de Pacificação está sendo gradualmente substituída pela Polícia Militar, mas na comunidade em que Cláudia morava o policiamento continua sob responsabilidade da força de segurança. 


Cláudia é a terceira pessoa morta por balas perdidas durante supostas trocas de tiro em comunidades do Rio desde o início de abril. No dia 1º, Elizabeth Alves, de 41 anos, morreu atingida por um tiro dentro de casa, no Complexo do Alemão, também na zona norte. A filha dela também foi baleada, mas sobreviveu. No dia seguinte, na mesma comunidade, o menino Eduardo Ferreira, de 10 anos, também morreu atingido na cabeça por um tiro de fuzil.

A família de Eduardo nega que estivesse ocorrendo confronto entre policiais e traficantes no momento em que o menino foi ferido. Segundo familiares, PMs atiraram de propósito e mataram Eduardo.

Um grupo de PMs que estava no local onde o menino foi baleado é investigado. Na noite desta terça, dois policiais militares que integram esse grupo e já admitiram à própria PM que deram tiros e podem ter atingido Eduardo prestaram depoimento na Divisão de Homicídios (DH) da capital, na Barra da Tijuca (zona oeste). O depoimento deles estava marcado para a semana passada, mas uma licença médica justificou o adiamento.

Eles chegaram à DH por volta das 20h40 desta terça e, até as 23h20, não havia a confirmação do fim do depoimento nem informações sobre seu conteúdo.

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