José Lucena/Futura Press
José Lucena/Futura Press

Mulher planejou morte de embaixador da Grécia, diz polícia; 3 são presos

Soldado, amante da mulher de Kyriakos Amiridis, confessou homicídio e contou com ajuda do primo; corpo carbonizado foi encontrado em Nova Iguaçu

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2016 | 21h00

RIO - O embaixador da Grécia no Brasil, Kyriakos Amiridis, de 59 anos, foi morto na noite de segunda-feira, 26, em um crime planejado pela própria mulher, uma brasileira com quem era casado havia 15 anos, e executado pelo amante dela, o soldado da PM do Rio Sérgio Gomes Moreira Filho, de 29 anos, dentro da casa que o grego mantinha em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

É o que afirma a Polícia Civil do Rio, que nesta sexta-feira, 30, divulgou detalhes da investigação.

O soldado confessou o homicídio, segundo os investigadores, assim como um primo dele que ajudou a consumar o crime. A viúva admite o homicídio, mas diz que não teve responsabilidade e culpa o soldado, com quem mantinha um romance havia seis meses. A viúva, o soldado e o primo dele, Eduardo Tedeschi de Melo, tiveram a prisão temporária por 30 dias decretada nesta sexta pela Justiça do Rio. Todos estão presos.

Na última quarta-feira, a mulher de Amiridis, a brasileira Françoise de Souza Oliveira, de 40 anos, informou à Polícia Federal o desaparecimento do marido, que teria acontecido na segunda-feira. Desde o dia 21, aproveitando as folgas de fim de ano, o casal, que tem uma filha de 10 anos, estava em Nova Iguaçu, onde moram familiares de Françoise. Ocupavam uma casa comprada pelo grego e usavam um carro alugado. O embaixador voltaria ao trabalho, em Brasília, em 9 de janeiro.

Como o diplomata não estava em missão oficial, a PF orientou Françoise a registrar o desaparecimento na Polícia Civil do Rio. Ela então foi à Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense acompanhada pelo soltado Moreira Filho, o que despertou suspeita do delegado Evaristo Magalhães, responsável pelo caso.

Françoise contou que estava num shopping de Nova Iguaçu por volta das 20 horas de segunda-feira quando o marido ligou para dizer que ia sair e não teria informado o destino. Amiridis não foi mais visto.

Nesta quinta, o delegado colheu depoimentos de várias pessoas, inclusive da viúva e do soldado. Por volta das 18 horas daquele dia a polícia localizou um carro incendiado que estava abandonado desde o dia anterior em um anel viário na entrada de Nova Iguaçu. Dentro havia um corpo carbonizado, levado ao Instituto Médico-Legal para identificação. Na mesma noite, a polícia confirmou que o veículo era aquele alugado pelo embaixador.

Pagamento. Nesta sexta à tarde, a partir da arcada dentária, a polícia confirmou que o corpo é do embaixador. A mulher dele e o suposto amante foram conduzidos à delegacia. O soldado é solteiro, tem uma filha pequena, trabalhava na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Fallet-Fogueteiro, no centro do Rio, e já era conhecido pelo grego, a quem havia prestado auxílio na manutenção da casa enquanto Amaridis estava fora do Brasil.

Ele confessou o crime e contou que entrou na casa do embaixador, iniciou uma luta corporal e o matou, enquanto um primo vigiava a entrada do imóvel. Depois, os dois homens enrolaram o corpo em um tapete e levaram até o carro alugado pelo diplomata. Apenas no dia seguinte o soldado teria ido com o veículo até o local em que o carro foi abandonado e incendiado. 

A viúva manteve a versão de que não tem responsabilidade sobre a morte do marido, mas o primo do soldado contou ter recebido dela a promessa de que receberia R$ 80 mil por auxiliar no crime. A dívida seria paga 30 dias após o homicídio. Por isso, apesar da negativa de Françoise, ela é acusada pelo homicídio. “Ainda não sabemos que vantagem a viúva e o amante teriam com a morte do embaixador, mas não há dúvida de que o crime é passional”, disse o delegado.  A viúva afirmou aos investigadores que já havia sido agredida pelo grego, mas nunca levou esses casos à polícia.

Os investigadores ainda não sabem qual foi a arma usada para matar o embaixador – só a perícia poderá responder isso. A viúva afirma que o marido tinha um revólver, que não foi encontrado pela polícia. Como a vizinhança não ouviu tiros, os investigadores acreditam que tenha sido usada uma faca. Um sofá na casa apresentava manchas de sangue e está sendo submetido a perícia. À noite, o governo brasileiro se manifestou sobre o caso. O Itamaraty disse lamentar a morte e expressou “seus mais profundos sentimentos a seus familiares e amigos, ao povo e ao governo da Grécia”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.