Fernando Quevedo/Agência O Globo
Fernando Quevedo/Agência O Globo

Mulher toma tiro e morre durante perseguição policial no Rio

Esteticista estava em um ônibus na zona norte da cidade quando foi atingida na testa por bala perdida

Pedro Dantas e Marcelo Auler, de O Estado de São Paulo,

17 Janeiro 2010 | 19h04

Uma perseguição policial a dois assaltantes em uma moto no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio, terminou de maneira trágica. A esteticista Miriam Santos Souza, de 51 anos, passageira de um ônibus da linha 415 (Tijuca-Leblon) foi atingida por uma bala perdida na testa e morreu antes mesmo de chegar ao Hospital do Andaraí. Os dois criminosos também foram mortos. Outros dois inocentes, um deles também passageiro do ônibus, foram feridos sem gravidade, assim como um policial.

 

O caso ocorreu na Rua Haddock Lobo, uma das mais movimentadas do bairro. Miriam será enterrada hoje no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Em outras ocorrências na cidade, um policial militar e três supostos traficantes morreram baleados.

 

De acordo com os depoimentos de dois policiais militares do 6º Batalhão de Polícia Militar da Tijuca à 18ª Delegacia Polícia da Praça da Bandeira, eles foram acionados após o alerta de que dois homens em uma moto estavam assaltando pessoas na Praça Saens Peña, o centro comercial do bairro. No Largo da Segunda Feira, eles encontraram os bandidos que responderam a tiros e fugiram pela Rua Haddock Lobo. No caminho, o ônibus 415 ficou entre os policiais e os assaltantes.

 

"Estes bandidos covardes atiraram no para-brisa do ônibus para desviar a atenção dos PMs que os perseguiam. Um tiro pegou bem na testa dela, coitada, que voltava para casa, em Copacabana, depois de um dia de trabalho", contou no hospital o marido de Miriam, o jornalista aposentado David Estilac Leal, de 74 anos, que vivia com a vítima há 20 anos.

 

Durante o confronto, um PM foi atingido por estilhaços na perna e a passageira de um táxi foi baleada de raspão no ombro. Ela se apavorou depois que o veículo teve os vidros estilhaçados por tiros, saiu do caro e foi ferida. Após alguns minutos de intenso tiroteio, os assaltantes foram baleados no cruzamento da Rua Haddock Lobo com Professor Gabizo, colidiram com um táxi e caíram mortos.

 

Os criminosos foram identificados como Vinícius Paula de Souza e Fábio Salomão. Eles seriam moradores de uma favela no bairro do Rio Comprido (Zona Norte). Com um deles, a PM recolheu uma pistola Glock. Os dois também foram reconhecidos por um policial da 1ª Companhia Independente da PM, lotado no Palácio Guanabara, como os homens que o balearam pouco antes no Parque Guinle, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. Ele reagiu a um assalto anunciado pela dupla, foi baleado na perna, mas não corre risco de morrer.

 

PM

 

O sargento da Polícia Militar Wilson Alexandre de Carvalho foi morto, na manhã de sábado, ao ser atingido por diversos tiros disparados pelos ocupantes de um automóvel Astra, que passou atirando na Patrulha onde o sargento dava plantão ao lado do soldado David de Almeida Wanlever. Por ter conseguido sair do carro e pular para um terreno vazio, mesmo tendo sido atingido pelos tiros, o soldado se escondeu no mato e se salvou. Foi levado para o hospital da corporação, operado e está fora de perigo.

 

Depois de atirarem contra os policiais, os ocupantes do Astra - entre três e quatro pessoas - roubaram uma carabina ponto 30 que os militares tinham no carro, estacionado na esquina das ruas Afonso Cavalcanti, em frente ao Centro de Convenções Sul América, próximo ao prédio da prefeitura do Rio, na Cidade Nova, centro do Rio.

 

Policiais militares relacionam o ataque à patrulha ao fato de a PM ter, na sexta-feira, matado em uma troca de tiros Anderson Eduardo Timóteo, conhecido como Skol ou Derson, 34 anos, um dos gerentes do tráfico de drogas no Complexo de São Carlos, no Estácio, vizinho à região do ataque aos policiais militares. Ali o comércio de drogas é controlado pela facção Amigo dos Amigos (ADA), que é chefiada naqueles morros por Rogério Rios Mosqueira, conhecido como Roupinol.

 

Funk

 

Três homens ainda não identificados morreram na madrugada de ontem depois de trocar tiros com policiais do 9º Batalhão de Polícia Militar de Rocha Miranda, na Favela Para-Pedro, no bairro Colégio, na Zona Norte da cidade. Na versão da polícia, os PMs foram checar uma denúncia de baile funk organizado por traficantes na comunidade e, por volta de 1h, foram recebidos a tiros por criminosos. No confronto, três supostos traficantes foram baleados e morreram a caminho do hospital. Com eles, foram apreendidas três pistolas e papelote de cocaína. O caso foi para a 22ª Delegacia de Polícia da Penha.

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