Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Multidão curte o centenário Cordão da Bola Preta no Rio

O bloco de rua, um dos mais famosos da capital carioca, comemora 100 anos de existência neste ano com cerca de 1,5 milhão de foliões

Thaise Constancio, especial para o Estado, Rio de janeiro

10 Fevereiro 2018 | 11h07

O desfile do Cordão da Bola Preta, bloco de carnaval que completa 100 anos em 2018, arrastou uma multidão no Centro do Rio neste sábado. A expectativa dos organizadores era receber cerca de 1,5 milhão de pessoas no desfile, embalado por sambas e marchinhas e pela potência de cinco caminhões de som. Ainda não há estimativas oficiais sobre a quantidade de pessoas que participaram do desfile.

Tradicional, o Bola, como o bloco é conhecido, atrai foliões de todo o Rio e turistas que visitam a cidade. Maurício Mendes, 27 anos, saiu de trem às 6 horas do Catiri, em Bangu, zona oeste do Rio, para curtir o bloco com o grupo Uga Uga. Há 12 anos, o grupo, que reúne de até 40 pessoas, se pinta de preto e se veste de homens e mulheres das cavernas.

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“Já virou tradição vir para o Bola Preta assim. Sempre brincamos muito e o povo gosta de pular com a gente. Às vezes vamos para outros blocos, mas aqui é obrigatório”, disse. Stefani Dórea, de 27 anos, saiu de Angra dos Reis, no litoral sul fluminense, para participar dos 100 anos do Bola Preta. Hospedada na casa de amigas, em Niterói, na região metropolitana, também acordou cedo para acompanhar o cordão.

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“Esta é minha primeira vez no bloco. As meninas já vêm há cinco anos e sempre falam bem, então resolvi ver de perto”, afirmou. O grupo de amigas ainda pretende curtir outros blocos neste sábado. Fantasiado de Rei Momo, Alessandro da Silva, 43 anos, também saudou o bloco centenário. “Sou paraense e não perco o Bola Preta por nada. Já está no sangue”, afirmou o folião.

Primeira Rainha Moma do Bola Preta, porta-estandarte por 10 anos e três vezes Mamãe Noel do bloco, aos 83 anos, Maura Possas se emocionou ao saudar o público de cima de um dos caminhões de som.

A atriz Leandra Leal e a cantora Maria Rita, porta-estandarte e madrinha do cordão, respectivamente, também animaram o público. Porta-bandeira da escola de samba Beija-Flor, Selminha Sorriso é musa do bloco. Padrinho da agremiação, o cantor Neguinho da Beija-Flor não chegou a tempo do início do desfile. A atriz Cris Vianna é a madrinha do centenário e a atriz Miriam Duarte, a musa.

 

Muito bem acompanhada!!! #100anosdobola #bolapreta #cordãodabolapreta

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Evangelização. Um grupo de religiosos aproveitou a concentração de pessoas durante o carnaval do Rio para evangelizar. Eles levaram pelo menos quatro estandartes gigantes, com frases sobre Deus e Jesus. À frente dos carros de som, os religiosos orientavam o público sobre a salvação. De um lado se lia “As ‘igrejas’ são uma fraude. Por favor, busque a Jesus. Escape do inferno”. Do outro lado: “Deus vê a tua dor. O Jesus vivo te fala no Novo Testamento”.

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Na frente da Assembleia Legislativa, do Rio, um dos pontos pelo qual passa o desfile do Bola Preta, enquanto o público vibrava com a passagem do bloco, os religiosos alertavam sobre as “falsas igrejas”. "O mundo é cheio de loucura e desespero. Até as ‘igrejas’ são falsas. Venha sozinho a Jesus. Ele veio por nós pecadores” e “Se somente você sabia (sic) o quanto Deus te ama”, dizia o estandarte dos dois lados.

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Atrás dos carros de som, eles orientavam: “Busque a Jesus”, “Você precisa de Jesus, não de uma ‘igreja’”, “Atrás de um cara feliz, escondemos um coração triste. As ‘igrejas’ não tem (sic) resposta. Comece de novo e descubra o Jesus”. 

Conscientização. Durante o desfile do Bola Preta, agentes do Ministério da Saúde trabalham distribuindo preservativos femininas e masculinas. A meta é distribuir 50 mil unidades. A iniciativa faz parte da campanha "Vamos Combinar", para prevenção da transmissão do vírus HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

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