TASSO MARCELO/ESTADÃO
TASSO MARCELO/ESTADÃO

Museu Nacional, o mais antigo do Brasil, fecha por falta de dinheiro

Anúncio foi feito pelo site do museu, que atribuiu o fechamento a 'problemas com os serviços de vigilância e limpeza'

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2015 | 18h05

Atualizada às 22h22

RIO - O Museu Nacional, mantido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com sede na Quinta da Boa Vista, zona norte, está fechado para visitantes desde esta segunda-feira, 12, por tempo indeterminado. O motivo é falta de verba para pagar os serviços de limpeza e de vigilância. A direção alega contenção de verbas pelo governo federal que, por sua vez, liberou recursos nesta segunda.

Especializado em história natural, é o maior museu dessa área na América Latina e o mais antigo centro de ciências do País. Foi inaugurado em junho de 1818. Em períodos de férias, como o atual, a instituição recebe cerca de mil pessoas por dia útil e cerca de 5 mil em fins de semana. 

O anúncio do fechamento foi fixado na porta do museu e divulgado pelo site da instituição, atribuindo a decisão a “problemas com os serviços de vigilância e limpeza”. O atraso no pagamento do serviço de vigilância ocorria havia meses. Nos últimos dias, funcionários terceirizados responsáveis pela limpeza, que também estão sem receber os salários, fizeram uma paralisação. 


Recursos. Nesta segunda-feira, o Ministério da Educação liberou R$ 4 milhões para a UFRJ, verba que, segundo a assessoria de imprensa do órgão, seria suficiente para solucionar a questão. No entanto, conforme ressaltou a assessoria, a universidade tem autonomia para definir onde vai aplicar os recursos - portanto, pode preferir usar esse dinheiro para outros gastos, considerados mais urgentes. Em 2014, cerca de R$ 60 milhões, 20% do orçamento anual do museu, não foram liberados pelo MEC. 

A UFRJ confirmou o recebimento do dinheiro, mas informou ainda não saber se a verba permitirá quitar as dívidas e reabrir o museu. Segundo a instituição, até amanhã o ministério deverá liberar mais dinheiro. 

Em nota divulgada antes da liberação da verba, a diretora da instituição, Cláudia Rodrigues Carvalho, e o coordenador do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, Carlos Vainer, criticaram a contenção de verbas pelo governo federal. “Naquela que deveria ser a ‘Pátria Educadora’, conforme promessa da presidente Dilma Rousseff em sua posse, a UFRJ não tem recebido os recursos que lhe cabem, até para pagamento das empresas que prestam serviços de limpeza e portaria ao Museu Nacional”, diz a nota. 

“Impotente diante do que parece ser uma total insensibilidade da chamada ‘política de austeridade’ diante das necessidades básicas de nossa universidade e, neste caso, do Museu Nacional, só nos resta esclarecer a comunidade universitária e a sociedade sobre a realidade que explica a suspensão das visitas, e vir a público para solicitar o apoio da sociedade e buscar sensibilizar as autoridades governamentais”, continua a nota. 

A direção ainda destaca o valor histórico da instituição. “Além de centro de pesquisa de relevância internacional, (o museu) constitui espaço fundamental de formação e educação científica e cultural da infância e juventude da cidade do Rio de Janeiro. Gerações e mais gerações de cariocas e brasileiros viveram a experiência de visitar um museu pela primeira vez na Quinta da Boa Vista”, afirma a nota divulgada pela diretora do museu. 

Reitoria. Em outro texto, assinado pela reitoria da UFRJ, a universidade informa o problema do repasse de verbas e prevê que o pagamento de dívidas a empresas terceirizadas “poderá ser feito a partir desta semana”. “A UFRJ aguarda a normalização do Sistema Integrado de Administração Financeira do Tesouro Nacional (Siafi) para realizar liquidação e pagamentos de faturas”, diz a nota oficial. “Os pagamentos em atraso só poderão ser feitos agora”, conclui.


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