Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Na intervenção, policiais do Rio matam cada vez mais

No mês de outubro, foram 127 ocorrências, um aumento de 30% em relação ao mesmo mês de 2017, e de 17,5% na comparação com setembro passado

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

15 Novembro 2018 | 12h24

RIO - Em intervenção federal na segurança desde fevereiro, o Estado do Rio segue com a taxa de morte por policiais em operações em alta. No mês de outubro, foram 127 ocorrências, um aumento de 30% em relação ao mesmo mês de 2017, e de 17,5% na comparação com setembro passado. Nestes noves meses, o número de mortes decorrentes de intervenção policial somou 1.151 no Estado.

O mês com mais mortes em decorrência de ação policial desde o início da intervenção foi agosto: 175 casos, quase seis por dia. Em agosto de 2017, foram 70. Nos nove meses desde o decreto, morreram em serviço 24 policiais (militares e civis); no mesmo período de 2017, foram 20.

Os dados saíram na quarta-feira,14, e são do Instituto de Segurança Pública (ISP), braço estatístico da Secretaria de Segurança do Estado, que divulga os indicadores todo mês. Segundo o boletim, apesar da letalidade policial, os homicídios dolosos, embora ainda num patamar bastante alto, caíram 22% em relação a outubro de 2017 – 378 registros, ante 486.

A letalidade violenta, que reúne os crimes de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção legal, caiu 15% quando comparada com outubro de 2017, e subiu 3% em relação a setembro deste ano.

De acordo com o ISP, a intervenção conseguiu baixar os números de roubos de carga, uma modalidade criminosa que vinha em ascensão. Este indicador teve queda de 28% em relação a outubro de 2017. Os roubos de veículos diminuíram 1%; já os roubos de rua (a transeuntes, em coletivos e roubos de celular) aumentaram 4%. Os dados são referentes aos registros de ocorrência lavrados em delegacias.

Ao avaliar os nove meses de atuação das Forças Armadas no Rio, o Observatório da Intervenção, grupo que monitorou 584 operações, divulgou que neste período 177 estabelecimentos de ensino da Região Metropolitana do Rio tiveram pelo menos um disparo de arma de fogo ou troca de tiros num raio de 100 metros, que colocaram em risco alunos e profissionais.

A conclusão se baseou em dados da plataforma Fogo Cruzado. Este total é 156% maior do que o registrado de fevereiro a outubro de 2017. “Tiroteios significam aulas suspensas, insegurança e medo. O rendimento dos alunos e o desempenho dos professores sofrem um impacto tremendo”, aponta relatório do Observatório divulgado na terça-feira, 13.

“Após nove meses de intervenção, registramos aumento de 59% de tiroteios, 3.369 homicídios e 42% de mortes decorrentes de intervenção policial. Esses números são chocantes, mas os dados sobre as escolas e as pichações nos muros do Rio lembram que a violência produz efeitos que não são visíveis imediatamente, mas que terão consequências no longo prazo”, conclui o trabalho.

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