Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Nenhuma autoridade nos procurou para dar os pêsames, diz família de dona Dalva

Em velório, sobrinha de idosa afirmou ainda que família não tem como afirmar de onde veio o tiro

Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2014 | 11h15

RIO - Parentes da aposentada Arlinda Bezerra das Chagas, de 72 anos, morta ao ser atingida por dois tiros na noite desse domingo, 27, durante um suposto confronto entre traficantes e policiais militares no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, reclamam que não foram procurados por qualquer autoridade do Estado para lhes pedir desculpas. Sobrinha da idosa, Marinalva Bezerra Clemente, de 39 anos, disse que Dona Dalva, como Arlinda era conhecida na comunidade, salvou a vida de seu filho de 10 anos.

"Como irmã mais velha de uma família grande, todos a consideravam como mãe e ela adotou meu filho como seu neto. Na noite de domingo, após um almoço na casa dela, ela estava levando meu filho para minha casa quando houve o tiroteio. Foi quando ela gritou: 'Me acertaram. Meu filho, foge'. Estamos revoltados porque ninguém nos procurou para dar os pêsames. Ela trabalhou durante mais de 30 anos em uma fábrica de costura, pagou todos os seus impostos e se aposentou para curtir os netos. Mas essa tragédia terminou com os planos dela", disse Marinalva durante o velório que está sendo realizado na manhã desta terça-feira, 29.

Marinalva disse ainda que a família não tem como afirmar de onde partiram os tiros que mataram a idosa. "Meu filho não viu nada. Na hora do susto só teve tempo de sair correndo e entrar na casa dela de novo. A gente só quer paz para continuar a nossa vida. Moro há 30 anos no Alemão e estou pensando em sair de lá por conta da violência".

Dona Dalva deixa o viúvo Francisco Faustino das Chagas, de 86 anos, um filho que é esquizofrênico e dois netos. Arlinda será enterrada às 13h no cemitério de Inhaúma, na zona norte do Rio.

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