Clarissa Tomé
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Aeroporto Santos Dumont é reaberto após mais de 8 horas fechado

De acordo com a Infraero foram 36 voos atrasados e 47 cancelados nas chegadas e 25 atrasados e 47 cancelados nas partidas

Fernanda Nunes e Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

28 Maio 2017 | 16h05
Atualizado 29 Maio 2017 | 11h29

O aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, foi reaberto para pousos e decolagens às 18h50 deste domingo, 28, após ficar mais de 8 horas fechado devido ao forte nevoeiro que tomou conta da zona sul e centro da capital carioca. Os voos foram interrompidos às 10h28 da manhã. De acordo com a Infraero, foram 36 voos atrasados e 47 cancelados nas chegadas e 25 atrasados e 47 cancelados nas partidas.

Centenas de pessoas lotaram o saguão do aeroporto ao longo do dia e passageiros aguardavam alguma informações sobre a volta das operações. Alguns clientes tentavam remarcar suas passagens para segunda-feira e, quando havia disponibilidade, transferindo as passagens para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio.

As companhias se comprometem a reembolsar hotel e refeições para os passageiros que não residem no Rio de Janeiro e que remarcaram seus voos para amanhã. Para isso, eles tiveram que enfrentar filas quilométricas no saguão do aeroporto. A empresa aérea Gol disponibilizou um telefone de atendimento. Os clientes reclamaram, no entanto, que as linhas telefônicas estavam congestionadas e que, por isso, preferiam enfrentar fila.

A dona de casa Euzenira Silva, de 52 anos, conta que chegou a despachar a bagagem no Santos Dumonte e que, depois de cancelado o voo que pegaria para Brasília às 15h, teve a passagem remarcada para as 20h no Galeão. Está com dificuldade, porém, de transferir as malas a tempo de embarcar. Acompanhada da mãe e da sogra, ela lamenta o transtorno e cansaço causados às pessoas idosas.

Já a empresária Cristiana Furlan, de 44 anos, comemorava no saguão do Santos Dumont por ter conseguido remarcar o retorno a São Paulo, onde mora e trabalha, para as 10h40 de amanhã, no Galeão. “Tive que remarcar os compromissos. Fazer o quê?”, disse a engenheira.

Atípico. O nevoeiro que atingiu o Rio durante todo o domingo, e provocou o fechamento do Aeroporto Santos Dumont desde as 10h28, é  atípico para a cidade, explicou o meteorologista William Cossich. Professor do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele acompanha a ocorrência de nevoeiros no Rio desde 2005.

“O nevoeiro de hoje foi um pouco diferente do que a gente está acostumado a ver no outono e no inverno. Geralmente, temos o nevoeiro de radiação, que se forma quando a temperatura da superfície diminui muito, durante as noites com poucas nuvens. À medida que a temperatura vai baixando, o vapor d'água que tem no ar vira água líquida, e se forma o nevoeiro, que é uma nuvem na superfície”, explicou Cossich. "O que teve hoje foi diferente, foi o nevoeiro de advecção. A temperatura do mar, no entorno do Estado do Rio, estava mais baixa. Esse nevoeiro veio acompanhando a temperatura do mar. O vento passou pela superfície  do mar, encontrou temperatura mais baixa e trouxe para orla, onde a temperatura estava mais alta, provocando essa formação de nevoeiro”.

Esse nevoeiro marítimo acontece, geralmente, no inverno e próximo à orla. “Em Copacabana, esse nevoeiro marítimo ficou muito claro. Quem estava na manifestação (por eleições diretas e a renúncia do presidente Michel Temer) mal conseguia enxergar o mar. Mas não se observou isso no interior da cidade, na zona norte e zona oeste. Esse nevoeiro costuma ocorrer no oceano e em áreas costeiras”.

Segundo Cossich, há previsão de formação de névoa no início do dia, nesta segunda-feira, 29. Mas que deve se dissipar ao longo do dia. Nos nevoeiros, há restrição de visibilidade e não se consegue enxergar um quilômetro à frente. Já quando há névoa, é possível enxergar além dessa distância. Há pequeno risco de o nevoeiro de advecção voltar a se formar na quarta-feira, 31.

 

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